O que é que o Facebook deve ao 11 de Setembro?

A China saltar de sexta economia para segunda? O Facebook? A Argélia substituir o Sudão como maior país africano? O planeta contar mais 800 milhões de habitantes. Afinal qual foi a maior mudança no mundo na década que passou desde o 11 de Setembro de 2001. Já agora, Plutão ter deixado de ser um planeta, é uma mudança quê? Universal? E alguma delas aconteceu por causa do atentado contra as Torres Gémeas?

Morreram três mil pessoas no mais espectacular ataque terrorista, com o embate do segundo avião no arranha--céus nova-iorquino a ser transmitido em directo. Foi mais gente do que em Pearl Harbor e por isso se adivinhou que os Estados Unidos, feridos de novo em casa, seriam brutais a retaliar. Os talibãs foram derrubados no Afeganistão em três meses, mas Ben Laden tardou nove anos a ser abatido. Pelo meio, a simpatia pela "Guerra ao Terror" declarada por Bush teve altos e baixos. No dia seguinte, o Le Monde garantia sermos "todos americanos", enquanto em Teerão se fazia uma vigília.

Mas a invasão do Iraque, as torturas de Guantánamo e os erros dos drones no Afeganistão e no Paquistão deram argumentos a quem queria ver no contra-ataque a arrogância da superpotência humilhada. Sobretudo a Al-Qaeda apostava no choque das civilizações, tese de um americano que deu jeito aos profetas do retorno ao século VII.

Só a eleição de Obama devolveria crédito aos Estados Unidos, afinal algo deve significar trocar o cowboy pelo filho de um imigrante queniano com Hussein como nome do meio. Ah! E um negro na Casa Branca é mesmo uma das novidades da década.

Assim, os anos 2001-2011 só confirmaram tendências: China, Índia e Brasil pesam cada vez mais, enquanto a crise financeira ressaltou as fragilidades dos Estados Unidos e da União Europeia, que ainda produzem metade da riqueza global. O Facebook é a moda, mas a Internet já antes se tinha imposto, e se o iPad veio para ficar, a era dos gadgets tem mais de dez anos. Quanto à recente "Primavera Árabe", associá-la à "Guerra ao Terror" é abusivo. O único ditador árabe que os americanos derrubaram foi Saddam. Ben Ali, Mubarak e Kadhafi até eram vistos como úteis no combate à Al-Qaeda.

A América ainda domina, mesmo que seja obrigada a pedir boleia aos russos para ir ao espaço, e quem agora puxe pela economia seja a China. O islão passou a ser a religião com mais fiéis, mas poucos deles choraram Ben Laden, e como se viu este ano na Noruega há outro tipo de fanáticos. Novos países desde 2001 só Timor, o Kosovo e o Sudão do Sul. Muito pouco se pensarmos nas alterações tremendas da década anterior.

Bem, antes do terror da Al-Qaeda ainda se ia para um aeroporto com uma garrafa de água na bagagem de mão. Se além de mudar o skyline de Nova Iorque foi só isto que Ben Laden conseguiu, talvez tenha falhado o alvo. Continuamos a voar. Sem medo.

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