O chavismo começou pelas armas, não tem de acabar com sangue

Maduro sucedeu a Chávez em 2013 e foi eleito. Chávez também tinha sido eleito em 1998 e depois várias vezes reeleito, dando legitimidade à sua Revolução Bolivariana com a força do voto. E quando sofreu uma tentativa de golpe de Estado, na fase inicial dos seus 14 anos de governo, o antigo paraquedistas não hesitou em acusar de antidemocratas os militares envolvidos. Data, aliás, desse momento, a purga nas altas patentes que explica a fidelidade dos generais a Maduro até agora, além das benesses que têm e do controlo rigoroso feito pelos aliados cubanos.

Mas o projeto bolivariano, uma utopia socialista inspirada em Bolivar, o libertador das Américas no século XIX, foi tentado pela primeira vez pela via golpista, com o próprio Chávez a tentar derrubar em 1992 o presidente Andrés Pérez, símbolo de uma classe política que desistira de combater as desigualdades num país riquíssimo. E, seis anos depois da morte de Chávez, tudo indica que será pelas armas também que será decidido o braço de ferro entre Maduro, reeleito sob contestação, e Guaidó, o deputado oposicionista declarado presidente interino e reconhecido por Estados Unidos, União Europeia e Brasil.

Talvez não seja ainda hoje, mas parece ser esse o destino trágico da Venezuela, onde o diálogo desapareceu e apoiantes da oposição e fiéis ao regime - um legado da generosidade social da Chávez quando o petróleo estava em alta e os supermercados não estavam vazios - se comportam como estando em barricadas opostas.

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