Marine ganha em França como em 2014! Macron é pouco para a travar

Em França ganhou o partido de Marine Le Pen, ponto final. O nome até pode ter passado de Frente Nacional para União Nacional e a líder ter entregue o protagonismo na campanha da Jordan Bardella, o prodígio de 23 anos que se vai sentar no parlamento de Estrasburgo, mas a vitória de hoje, a segunda consecutiva da extrema-direita francesa em eleições europeias, confirma aquilo que já se sabia: Marine é uma corredora de fundo e aprende com os erros.

Os quase 23% que as estimativas atribuem à RN até ficam aquém dos quase 25% da FN em 2014, mas basta olhar para os resultados das outras forças para se perceber que no caos em que se transformou o cenário político francês a extrema-direita mostra uma estabilidade impressionante. O segundo lugar é do República em Marcha (LRM), a criação de Emmanuel Macron que lhe deu a presidência e o parlamento francês, quando há cinco anos coube à UMP, a direita neogaullista, se é que ainda faz sentido usar essa designação. E o terceiro desta vez são os ecologistas, quando nas anteriores europeias tinham sido os socialistas.

Portanto, o rebranding da extrema-direita, se quisermos usar linguagem moderna do marketing, ou o seu aggiornamento, recorrendo aos tradicionais termos políticos, continua a ser um sucesso. Pouco ou nada resta do saudosismo fascista de Jean-Marie Le Pen e a aposta em nomes como Bardella, filho de imigrantes italianos, também afasta a suspeita de uma França só para os chamados franceses de souche quando a sociedade é bem mais diversa.

O desafio grande, porém, mantém-se. A chegada ao poder. O controlo do governo ou da presidência. Na segunda volta das presidenciais de 2017 Marine obteve 33%, mais de dez milhões de votos. Macron, o banqueiro ex-ministro socialista, foi o travão republicano, como parece que o seu partido continua a ser, mas é preocupante que a direita clássica não vá desta vez além dos 8% e os socialistas nem sequer além dos 7%.

Com o Brexit em curso, o eixo franco-alemão emerge cada vez mais como essencial à defesa do projeto europeu. Do outro lado do Reno, apesar da crise do centrão, mais até dos sociais-democratas do que dos democratas-cristãos, a extrema-direita do AFD parece confinada a uns 10%. Mas em França, com a fraqueza dos partidos tradicionais, o travão à RN depender apenas de um partido personalista é um risco demasiado grande, num duelo que se combate em Paris e em Estrasburgo. Marine, que agora até diz dar uma hipótese à União Europeia para a ganhar por dentro (outra forma de chegar ao poder), tem mostrado saber esperar.

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