Fui ao Irão espiar a tática de Carlos Koorosh

Leonídio Paulo Ferreira

Carlos Queiroz, ou Koorosh, já era um herói no Irão ainda antes da vitória sobre Marrocos e da derrota mínima frente à Espanha. Estive em reportagem em Teerão em dezembro e só ouvi falar bem do técnico português, que pela segunda vez apurara a seleção iraniana para a fase final de um Mundial de futebol. Uma revista escolheu-o como figura desportiva do ano e chegou a ser recebido pelo presidente da república islâmica a quem ofereceu uma camisola da seleção.

"Um empate seria bom. Passavam os dois países aos oitavos", diziam por lá, com um misto de pragmatismo perante a equipa de Ronaldo e de gentileza persa, pois já se sabia que o terceiro e decisivo jogo da fase de grupos na Rússia seria um Irão-Portugal. Pois bem, sabe-se agora que o empate serve aos portugueses, mas pode não chegar para os iranianos passarem aos jogos a eliminar. Tudo depende do resultado dos espanhóis frente aos marroquinos.

Essa tremenda popularidade de Carlos Queiroz, Carlos Koorosh, em terras persas pode ser medida de muitas formas. A que mais me impressionou foi o cartaz gigante dele numa avenida grande de Teerão a promover um banco. E não era o único. Vi depois mais cartazes iguais, noutros pontos da capital. E a mensagem bem podia ser: "comigo as contas não têm surpresas". Que o digam os rivais no apuramento asiático - o Irão ganhou o seu grupo com sete pontos de avanço à Coreia do Sul, também qualificada para este Mundial.

Ora, nisto de contas hoje para o apuramento, suspeito que os iranianos não vão arriscar. Eles, mais do que ninguém, sabem o valor da matemática, ou não tivesse sido persa o célebre Al-Khwarizmi, (do seu nome derivam algarismo e algoritmo). Por isso, creio que vão jogar para ganhar, afinal o único resultado que lhes dá garantias de seguir em frente. E tenho fortes razões para dizer isto. Em Teerão, almocei com Aryan Ghasemi, que há sete anos trabalha com Queiroz na seleção iraniana. E que me disse: "as pessoas estão excitadas com o Mundial. E gostam da ideia de jogar contra Portugal. Acham que temos hipóteses porque Carlos Queiroz conhece muito bem como jogam os portugueses". Sim, Koorosh é já nome de herói persa.