Dois políticos demasiado fracos

Chame-se Grande Coligação, como a que existe na Alemanha, ou Bloco Central, como houve em Portugal em 1983-1985, há situações em que os dois maiores partidos têm de se entender . Ora, em Espanha é tabu. Nunca foi essa a solução para resolver a falta de maioria absoluta do PP ou do PSOE. Ambos os partidos - fosse nas era González, Aznar ou Zapatero - preferiram sempre apoios de ocasião, em regra forças nacionalistas, como o basco PNV ou a catalã CiU.

O que separa os dois grandes da democracia espanhola? A identificação com o bloco ocidental? Não, até foi um governo socialista que aderiu à UE e à NATO; A unidade nacional? Não, mesmo o PSOE não admite um referendo independentista na Catalunha, e no passado os socialistas tal como o PP foram implacáveis com a ETA; O sistema económico e social? Não, nenhuma transição de poder trouxe sobressalto à organização do país.

Então porquê a força desse tabu, que impede neste momento uma solução de governo, já que, mesmo muito penalizados nas eleições de 2015, o PP e o PSOE continuam a ser maioritários, sobretudo convertidos os votos em deputados? 123 para os conservadores, 90 para os socialistas, bem mais do que os 175 que asseguram uma maioria absoluta.

Claro que a forma como o PSOE de Sánchez atacou o anterior governo de Rajoy fez mossa na confiança pessoal. E o PP também não pode deixar de pagar pela forma como governou ignorando todos. Mas fica a impressão de que algo de mais profundo existe. Ontem, ao DN, o historiador Paul Preston afirmava que "a memória da Guerra Civil continua a envenenar a política espanhola". Se for isso, está na hora de a direita, que se revê no PP, e de a esquerda, que se identifica com o PSOE, pensarem que o interesse da Espanha de hoje vale mais do que ódios antigos. Rajoy e Sánchez são é demasiado fracos para dar esse passo.

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