Conspiração de mulheres

Podia pensar-se que é por causa do favoritismo de Hillary Clinton que as mulheres estão a bater todos os recordes de doações para a campanha presidencial e afins, mas a verdade é que também nas fileiras republicanas o mesmo acontece (ainda que antes de se saber se Donald Trump vai mesmo ser o candidato). Segundo o The New York Times, 43% de todo o dinheiro investido até agora nestas eleições foi dado pelas americanas, atenuando, e muito, o fosso tradicional com os homens. E refletindo não só o desejo de ter uma mulher na Casa Branca, como sobretudo mostrando como o crescente sucesso na vida profissional e empresarial está a dotar de meios a parte feminina do eleitorado americano.

Hillary, claro, é a grande beneficiada. Metade dos voluntários que recolhem doações são mulheres (no caso do candidato democrata de 2012, o presidente Barack Obama, eram um terço). Isso reflete-se na abordagem a potenciais dadoras e assim a ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado vai já buscar 60% dos seus recursos financeiros às mulheres. Se isto é um prenúncio da sua vantagem nas eleições de 8 de novembro ainda é arriscado de dizer, mesmo que se saiba que as americanas votam na sua maioria nos candidatos presidenciais democratas, com Bill Clinton (o marido de Hillary) e Obama (o correligionário que a bateu nas primárias de 2008) a deterem os recordes de apoio feminino.

Se ganhar, Hillary celebrará em 2020, ano da sua campanha para a reeleição, o centenário do direito de voto para as americanas. Estas já deram aos Estados Unidos incontáveis congressistas e senadoras, muitas governadoras, também inúmeros membros da Administração (a primeira equipa de Obama tinha sete, incluindo Hillary). Mas até hoje nenhum presidente, ou sequer vice-presidente era mulher. Aliás, tanto o Partido Democrata como o Republicano nunca candidataram uma delas à Casa Branca, empatando também em termos de candidatas a vice, com Geraldine Ferraro em 1984 e Sarah Palin em 2008.

Se de 1920 até 1980 as mulheres eram mais dadas à abstenção do que os homens, depois inverteu-se a tendência. E há quatro anos terão votado 71% das americanas registadas contra 61% dos americanos, o que lhes dá clara vantagem em termos de peso eleitoral. Obama foi o grande beneficiado, mesmo que o republicano Mitt Romney tenha tido mais votos das mulheres brancas, pois 96% das negras, 76% das hispânicas e 66% das asiáticas apoiaram a reeleição do primeiro afro-americano na Casa Branca.

É tido como certo que Trump tem um sério problema com o eleitorado feminino. Talvez o tente contrariar apostando numa mulher para candidata a vice. Hillary, essa, tem tudo para ser a americana pioneira na presidência. Se o dinheiro das mulheres ajudar a chegar lá, não faltará quem fale de uma conspiração feminina. E então?

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG