Alguém ponha já juízo aos guerreiros nucleares Índia e Paquistão

Ataques aéreos além fronteiras e aviões derrubados fazem soar os alarmes seja onde for. Quando envolvem Índia e Paquistão, dois países nascidos em simultâneo de uma sangrenta partição colonial, com um eterno conflito territorial por resolver e três guerras em sete décadas é mesmo motivo para soarem todos os alarmes. É que ainda por cima se trata de duas potências nucleares.

Depois do atentado terrorista de meados de fevereiro na Caxemira indiana que matou mais de 40 paramilitares, a fúria indiana garantia que a retaliação seria dura. E foi: ataque aéreo ontem na Caxemira paquistanesa contra bases do Jaish-e-Mohammad, grupo que reivindicou o ataque em Pulwana. Agora, veio a previsível retaliação paquistanesa à retaliação indiana: derrube de aviões indianos. Tudo ainda muito incerto, mas com níveis bem acima da habitual tensão indo-paquistanesa, basta lembrar que desde a guerra de 1971 os aviões indianos não tinham voltado a cruzar a LOC, fronteira de facto em Caxemira. O normal é alguns tiros de artilharia pesada, em regra em zonas montanhosas só com tropas.

O mundo tem de pressionar de imediato os líderes indiano e paquistanês à moderação. Com eleições à porta na Índia, o nacionalista hindu Narendra Modi está tentado a exibir músculo até porque pode assumir o papel de vítima. E no Paquistão o antigo capitão da seleção de críquete, Imran Khan, agora primeiro-ministro, também se sentirá tentado a mostrar que é um líder forte, tanto mais que os influentes militares paquistaneses o obrigariam a reagir desse por onde desse.

No passado, tanto Modi como Khan falaram da necessidade de dialogar sobre Caxemira e de normalizar as relações para poderem canalizar recursos para o desenvolvimento dos seus países, 1300 milhões e 200 milhões de pessoas. Têm de voltar a esse caminho, por muito que hoje ele pareça impossível e os nacionalismos de lado a lado estejam exacerbados.

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