Tudo se confirma

Sejamos claros: bem feitas, quatro horas de emissão são provavelmente suficientes para assegurar o serviço público de televisão necessário nos Açores e na Madeira. Mas o facto é que as estações regionais estão esta semana mais próximas do encerramento - situação que Lisboa deseja há demasiado tempo - do que estavam na semana passada. E, inevitavelmente, as medidas acabadas de anunciar por Miguel Relvas são, para as autonomias, uma tragédia.

No caso da RTP/Açores, que conheço melhor - e que, como é mais ou menos indiscutível, esteve sempre bastante à frente da congénere madeirense -, os culpados são quatro. O primeiro é o povo açoriano, que passou os últimos 20 anos a pensar em telenovelas e reality shows, tal como os seus restantes compatriotas, e deixou o canal à míngua de audiências. O segundo é o seu actual director, Pedro Bicudo, que efectivamente desempenhou o papel de comissão liquidatária que já se temia que desempenhasse.

O terceiro é o próprio ministro Relvas, que foi até onde mais ninguém fora, com a agravante de que desconhece a importância do canal dos pontos de vista da história, da identidade e da própria soberania. E o quarto é o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, que permitiu que uma direcção de Informação e Programas simpática para o seu governo reduzisse a estação açoriana a menos do que aquilo que já era a madeirense, ou seja, quase nada.

César não só está agora "contra a redução da emissão da RTP/Açores para quatro horas", como diz esperar que o Governo da República pense melhor e aceite "um retrocesso na decisão de reduzir emissão". Oxalá consiga forçá-lo. Para já, está com os pés bem afundados na lama do seu velho eleitoralismo.

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