Só mais esta sobre as ilhas

O já famigerado tema da RTP Açores e da RTP Madeira conheceu desenvolvimentos curiosos. Depois de o próprio PSD/Açores ter vindo discordar da redução dos canais regionais a quatro horas diárias, anunciada por Miguel Relvas, André Bradford, secretário Regional da Presidência dos Açores, diz agora ter recebido da Administração da RTP em Lisboa a garantia de que, na verdade, o que está em causa não é uma redução da antena, mas a concentração das produções regionais em períodos concretos de quatro horas: das 19.00 às 23.00.

Ou seja, os canais continuam a funcionar exactamente como dantes, salvo que toda a emissão fora dos ditos períodos será ocupada com produção nacional (ou internacional). Tudo bem. Suponho que toda a gente tenha percebido o quão precipitado fora o anúncio do ministro - e que, portanto, esta seja uma solução airosa para o problema.

Se não, faria sentido perguntar se tal mudança, e tendo em conta a actual pobreza da produção regional (nomeadamente no caso dos Açores, que é o que vem originando mais controvérsia), tem significado que justifique a intervenção pública do número dois do Governo da República. E, já agora, se será lógico o número dois do Governo da República ter uma palavra a dizer quanto ao alinhamento dos canais regionais - ou se, pelo contrário, devem ser as direcções destes a decidir, e perante a existência de quatro horas diárias de produção local, em que horário devem os respectivos programas ser emitidos: à noite, à tarde, de manhã ou mesmo de madrugada.

Não vale a pena, porém. Afinal, fica tudo mais ou menos como estava. É mau, mas sempre é menos mau do que a redução dos canais ao tal período 19.00-23.00. Celebremo-lo.

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