E 2014 será pior

A mudança de horário de Os Filhos do Rock ajuda-nos a fazer o balanço adequado de 2013. Não sendo o West Side Story da TV portuguesa, é uma interessante série de televisão, desde logo porque se esforça por versar aquilo que efetivamente foram os anos 1980, em vez daquilo que os humoristas convenceram o País do que os anos 1980 foram. Resultado: audiências medíocres. E resultado destas: a transferência para o início das madrugadas de domingo. Pois em ambos os momentos se faz o retrato do ano agora concluído - naquele em que o público lhe vira as costas e naquele em que a RTP1 lhas vira com ele.Enquanto continuar pressionada pelas audiências, a estação pública tomará decisões contrárias ao ideal do serviço público. Os Filhos do Rock é uma série formadora, com valor histórico, e a RTP deveria poder insistir numa linha de programação que protegesse esses valores apesar da resistência dos telespectadores. Uma estação de televisão que dá ao público apenas aquilo que ele quer é uma estação comercial e que deve ser privatizada de imediato, caso contrário opera em concorrência desleal.Por outro lado, a equação em vigor fica, mais uma vez, bastante evidente: mais qualidade é igual a menos audiências. Bem-Vindos a Beirais, um subproduto feito em cima do joelho, que junta os namoricos inconsequentes a uma ideia efabulatória e naïf sobre o que é a vida no campo, continua a ganhar episódios e protagonismo, segurando-se nos melhores lugares da grelha. Já um tributo à cultura popular, com preocupações historicistas e de caracterização social, é chutado para o fundo das tabelas.Temos a televisão que merecemos. E merecemos cada vez pior.

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