Entretanto, cá na terra

1. Mudanças radicais na imagem e na grelha da RTPN fazem, em abstracto, todo o sentido. O canal empenha-se, mas há uma fronteira entre o empenho e a sofisticação que nunca conseguiu ultrapassar. Por outro lado, é fundamental a alocação à sua actividade de mais meios humanos e materiais, em cuja escassez reside a primeira explicação para o actual estado de coisas. E, entretanto, fica a pergunta: porquê a mudança de nome para "RTP Informação"? Que sentido faz tal coisa, se "RTP Informação", um nome longo, pedirá sempre uma abreviação - e se a abreviação natural será "RTP I", o que a fará confundir-se com a velha RTP Internacional? O que dirá de tal escolha um marketeer minimamente competente?

2. E, pronto, Júlia Pinheiro respondeu de facto a Teresa Guilherme - e, como normalmente acontece nestes domínios, o nível da intervenção foi ainda um pouquinho mais rasteiro do que aquilo que se esperava. Diz a frase feita que, quanto mais se bate no fundo, mais o fundo desce. Não é totalmente descabido repeti-la aqui.

3. Estudos da TV World Markets e da Idate, citados pelo El Mundo, dizem-nos que as receitas da televisão no mundo inteiro subiram em 2010 7,8% em relação a 2009 e que, no geral, o sector se ressentiu menos da crise global do que o PIB mundial no seu conjunto. A dificuldade sentida pela televisão portuguesa em replicar essa tendência é ao mesmo tempo sinal do mau momento da nossa economia e do peso excessivo que, entre nós, a empoeirada TV generalista ainda tem no sector. Também aqui a televisão é uma espécie de último luxo do povo: o entretenimento de que, até que se torne impossível, ninguém abdicará. Dar dinheiro que se veja já é outra coisa.

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