Crianças grandes

Manobras de Diversão/Traffic Light (Fox Life, novos episódios aos domingos) tem um mérito sobre todos os outros. Por acaso, vem do sítio menos esperado: as suas mulheres são credíveis na medida certa. O problema é que os seus homens são aqui credíveis de mais e ali credíveis de menos, à medida dos muitos clichés em que a série mergulha - e, no fim, torna-se mesmo difícil distinguir o que há ali de condição masculina e o que há ali daquilo que se convencionou ser a condição masculina por-muito-que-as-evidências-provem-o-contrário.

A intriga original é israelita - e a primeira coisa que se espera é que, tendo sido testada noutro país, e aliás com suficiente sucesso para permitir a venda do franchise para os EUA, traga algo de novo. Não traz. Basicamente, há três homens na casa dos 30 anos, cada um com uma combinação diferente daquilo a que se convencionou chamar "as exigências da vida de adulto" - e depois cada um deles gere o problema à sua maneira: um como um menino da mamã, outro como uma rock star e outro ainda como um menino da mamã que ambiciona ser uma rock star mas se encontra agrilhoado pelo imperativo de uma vida a dois.

Entretanto, grande parte da acção ocorre ao telefone, ao longo de conference calls feitas entre os três, normalmente a partir dos respectivos carros. E do que falam eles? De como estão esmagados pelos compromissos, de como só gostariam de um momento de evasão, de como iam bem melhor agora beber um copo com os amigos do que para casa. O dilema, diga-se, interpreta na perfeição os homens de hoje, para quem uma tarde de sábado bem passada é à frente de uma PlayStation. Mas é tratado de maneira tonta - e, no total, a série durou apenas 13 episódios.

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