Baralhar e voltar a dar?

O regresso à RTP de O Elo Mais Fraco, apresentado entre 2002 e 2003 por Júlia Pinheiro e Luísa Castel-Branco, é uma das poucas boas notícias da rentrée nos domínios da TV generalista. Apesar de se tratar de mais uma reedição - numa temporada já de si demasiado marcada pela reedições e pela falta de criatividade em geral, isto é -, O Elo Mais Fraco mantém-se até hoje como o melhor concurso de cultura geral da fase "moderna" da televisão.

Ao contrário de Quem Quer Ser Milionário, por exemplo, faz desfilar dezenas de perguntas em poucos minutos, o que efectivamente contribui para a cultura geral do telespectador. Por outro lado, tem um formato mais simples, mais intuitivo e, apesar disso, mais divertido do que a maior parte dos concursos recentes.

Será interessante reencontrá-lo - e isto independentemente do apresentador, cujo boneco tem peso do ponto de vista da estética global do programa, mas se torna irrelevante para quem, em casa, gosta de testar os conhecimentos.

A questão é que, quase dez anos depois, também O Elo Mais Fraco ganharia com uma versão "alta pressão". E essa "alta pressão" não deveria ser um mero "baralhar e voltar a dar", como aconteceu com Milionário, mas um modelo competitivo que tornasse de facto mais interessante jogar no papel do telespectador. Por esta altura, e com o desenvolvimento da dimensão interactiva da televisão, já começa a ser difícil explicar por que se limitam estes concursos, no que à interactividade diz respeito, à velha "pergunta lá para casa", incluindo chamada de valor acrescentado.

Talvez possa entrar aqui a criatividade que não cabe em mais lado nenhum neste mês de Setembro. Tem a palavra a RTP.

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