Premium O Facebook nunca existiu

Mark Zuckerberg definiu um novo mote para a atividade do Facebook: "O futuro é privado." No seu simplismo, a fórmula afasta-nos da discussão do conceito de privacidade e, no limite, evita pensar qualquer hipótese de futuro.

Depois de vários casos de abuso de gestão de dados pessoais de frequentadores do Facebook - com inevitável destaque para o escândalo em torno da Cambridge Analytica, envolvendo elementos das fichas de 87 milhões de pessoas -, Mark Zuckerberg veio anunciar um novo mote para a sua empresa. Assim, na conferência anual do Facebook, realizada em San Jose, Califórnia, proclamou uma surpreendente palavra de ordem: "O futuro é privado."

Num universo parasitado por sound bites, eis um slogan com imediata e perversa ressonância universal a que, em última instância, será difícil reconhecer o mínimo de consistência argumentativa. Como se pode ver/ouvir através de vídeos disponíveis em infinitos lugares da internet, Zuckerberg explicita a sua "mensagem" através de um raciocínio que seria apenas pueril, não se desse o caso de ter adquirido o poder devastador de uma ideologia "social". A saber: "A privacidade dá-nos a liberdade de sermos nós próprios."

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