Quando Steve Ditko (não) apareceu na BBC

Criador de heróis da BD como Homem-Aranha ou Doutor Estranho, Steve Ditko não gostava de ser filmado - o que não impediu que Jonathan Ross lhe dedicasse um belo documentário

Mesmo quando não conhecemos os infindáveis labirintos do universo da banda desenhada, o nome de Steve Ditko convoca-nos como uma referência histórica e mítica. Os recentes filmes da Marvel com Homem-Aranha e Doutor Estranho - personagens que ele criou, em aliança com o não menos lendário Stan Lee - trouxeram-lhe uma merecida popularidade perante as gerações mais jovens.

Que o cinema da Marvel esteja cada vez mais formatado e previsível, eis um estado de coisas que o nosso empenhamento cinéfilo não pode deixar de lamentar (o filme Doutor Estranho, com Benedict Cumberbatch, lançado em 2016, é ainda assim uma boa excepção a tal rotina). Em qualquer caso, há uma saborosa ironia no modo como Ditko viveu a sua popularidade. Num mundo mediático em que o "aparecer" tende a ser mais valorizado do que o "ser", Ditko, mestre das imagens e suas nuances, era um lobo solitário que não abdicava do secretismo da sua toca - de tal modo que as fotografias que dele se conhecem terão sido obtidas, de um modo geral, há meio século ou mais.

Ironicamente, uma prova eloquente da sua postura existencial é o documentário de uma hora de duração que Jonathan Ross lhe dedicou, na BBC, corria o ano de 2007. O título é esclarecedor: In Search of Steve Ditko (à letra: "À procura de Steve Ditko"). Acontece que Ditko não está presente, a não ser através de muitos materiais antigos do seu trabalho que colocou à disposição de Ross - de resto, recusou ser filmado, não aceitando sequer a possibilidade de gravar algum tipo de declaração ou entrevista. O documentário está disponível na Net e pode ser uma bela viagem iniciática através do mundo criativo de Ditko.

Ler mais

Exclusivos

João Almeida Moreira

DN+ Cadê o Dr. Bumbum?

Por misturar na peça Amphitruo deuses, e os seus dramas divinos, e escravos, e as suas terrenas preocupações, o dramaturgo Titus Plautus usou pela primeira vez na história, uns 200 anos antes de Cristo, a expressão "tragicomédia". O Brasil quotidiano é um exemplo vivo do género iniciado por Plautus por juntar o sagrado, a ténue linha entre a vida e a morte, à farsa, na forma das suas personagens reais e fantásticas ao mesmo tempo. Eis um exemplo.