O Rato Mickey não entra em 'Avatar'

Pixar, Marvel e Lucasfilm são estúdios de sucesso que passaram a pertencer ao império Disney - tal como, a partir de agora, a 20th Century Fox.

Que há de comum entre clássicos como O Pecado Mora ao Lado (1955), com Marilyn Monroe, ou o lendário Música no Coração (1965) e sucessos do século XXI como os novos episódios de Star Wars ou o recente Bohemian Rhapsody, evocando Freddie Mercury? Pois bem, todos têm chancela da 20th Century Fox, um dos nomes emblemáticos da história e da mitologia dos grandes estúdios de Hollywood.

E se o logótipo da Fox passasse a integrar o castelo de fantasia dos estúdios fundados por Walt Disney? Eis uma especulação provavelmente absurda, mas com forte motivação simbólica. Acontece que, em meados de 2018, o império Disney adquiriu a Fox por 71,3 mil milhões de dólares (cerca de 63 mil milhões de euros), sendo o final deste mês de fevereiro apontado como data de integração de um estúdio no outro.

Na prática, o lendário clube dos Big Six de Hollywood vai ficar reduzido: os grandes estúdios (majors) passarão a ser apenas cinco (Paramount, Warner, Universal, Columbia e Disney). Mas o que está em jogo excede, e muito, o simbolismo histórico de tão excelsa galeria. Desde logo porque este processo de integração envolve muitas promoções, despromoções e despedimentos (segundo a imprensa especializada de Hollywood, há quatro mil trabalhadores de diversos setores da Fox que receiam perder os empregos); depois porque ninguém sabe como a Disney irá gerir o imenso e valiosíssimo património da Fox.

Uma coisa é certa: da produção à difusão, as dinâmicas internas da indústria de Hollywood vão mudar. E não apenas porque, por exemplo, projetos como as quatro sequelas de Avatar em que James Cameron está a trabalhar (com lançamentos agendados até 2015) foram gerados na Fox. O Rato Mickey não será integrado nos respetivos elencos, mas as suas formas de promoção e distribuição vão, por certo, ser repensadas.

A surpresa de tudo isto é muito relativa. Na verdade, as estratégias artísticas, tecnológicas e comerciais da Disney já pouco ou nada têm que ver com os conceitos em que foram gerados clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões (1937) ou Bambi (1942). Nos últimos anos, o estúdio dilatou o seu poder económico, global, por excelência, através da aquisição de três outros estúdios: Pixar (pioneiro na animação digital), Marvel Entertainment (produtor dos maiores sucessos na área dos super-heróis) e Lucasfilm (a casa original de George Lucas e da saga Star Wars).

Ponto fulcral em tudo isto: a Disney está há dois anos a preparar o lançamento da sua plataforma de streaming, denominada Disney+. Com abertura prevista para o próximo mês de setembro, nos EUA, a Disney+ assume-se como concorrente direta da Netflix, ao mesmo tempo reforçando a presença da Hulu (de que a Disney, através da aquisição da Fox, passou a deter 60%). Resta saber se os responsáveis por todas estas mudanças, a começar por Bob Iger (presidente da Walt Disney Company), possuem ideias criativas que acompanhem o seu inquestionável talento de gestores.

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