O mundo seria maior sem pontes

Falar de pontes pode parecer um debate estéril, mas sem elas o mundo seria maior e hoje em dia queremos tudo à distância de um dedo. O que diriam os milhares de pessoas que vão passar o fim de semana ao Algarve se não tivessem a Ponte 25 de Abril para os pôr em casa em poucos minutos e fossem obrigados a ir até Cacilhas e atravessar o rio num ferry, com filas pelo meio ou ir por Vila Franca de Xira e fazer o único bocado de autoestrada que então existia em Portugal?

Em 1966, quando inauguraram a então Ponte Salazar, foi um avanço brutal para encurtar o mundo português. Em 1969, quando o homem foi à Lua, o universo ficou mais pequeno e até se pensou que Marte viria logo a seguir. Se a Lua não nos serve de nada, menos ainda Marte servirá, ou seja, dificilmente será uma ponte para a galáxia.

Falo destas duas "pontes" porque são as primeiras imagens que me lembro de ver na televisão - a preto e branco, claro. A ponte para a Lua é dessa cor e portanto não interessava ver a cores, mas quanto tempo terão demorado os portugueses desse tempo a saber que a ponte era avermelhada? Sei de quem se meteu a atravessar a Ponte sobre o Tejo logo no dia da inauguração e esses ficaram cientes da realidade. Um belo passeio de horas para lá e para cá, dias depois de ter acontecido o teste final à ponte. Uns voluntários à força que conduziram camiões do exército carregados e pararam sobre o tabuleiro para ver se a ponte não caía.

Pode parecer aleatória a escolha destas duas pontes, mas há um denominador comum entre elas: ambas foram feitas pelos norte- americanos. E se sobre a viagem à Lua muita gente desconfiou que seria mentira, já da nossa ponte nunca ninguém duvidou de que era real.

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