O top 3 da bossa nova: Tom, Vinicius e Gilberto

Em junho de 2003 o pai da bossa nova deu dois espetáculos no Coliseu de Lisboa. Deu... não deu... deu apenas um porque cancelou o primeiro em cima da hora.

Nunca tinha assistido a João Gilberto ao vivo e decidi que estava na hora. A grande incógnita era qual o espetáculo que o músico iria cancelar - jamais daria os dois, era mais do que certo, como fazia habitualmente - e as hipóteses de comprar bilhete para o concerto errado eram de 50%.

O raciocínio que se verificou estar certo foi o de que na primeira noite João Gilberto daria o seu próprio show (ou seja recusava-se a pisar o palco), e por isso eu deveria comprar o bilhete para a segunda. Nessa derradeira noite, Gilberto teria de utilizar a única oportunidade para não deixar Lisboa malvisto e com a totalidade dos fãs desiludidos - assim, ficavam apenas metade.

Porque fazia isto João Gilberto? Porque falhava tantos dos concertos que aceitava dar e assinava os contratos com a devida antecedência? Havia sempre a boa desculpa de não estarem reunidas as condições acústicas ou qualquer outra treta. Mas creio que a maioria dos que compravam bilhete para um espetáculo de João Gilberto adquiriam também a hipótese de ser uma noite frustrada.

Felizmente para a música brasileira, em 1962 o cantor não borregou a apresentação no prestigiado Carnegie Hall em Nova Iorque e na companhia de Tom Jobim e do saxofonista Stan Getz, João Gilberto explicou ao mundo o que era a bossa nova e, como sempre acontece, os brasileiros acreditaram que se lá fora era sucesso também deveria ser no seu país. E o que temos no ouvido desde então e até hoje, no que respeita à música desse país, nada mais é senão a herança de João Gilberto distribuída por todos os que se lhe seguiram. Tom Jobim e Vinicius de Morais estavam com ele e fizeram o top 3 da bossa nova nos tempos que se seguiram. Mas foram os novos acordes feitos com as seis cordas da guitarra de João Gilberto que fizeram nascer a nova música e nem mesmo letras infantis como "O pato vinha cantando alegremente, quém, quém" só o prestigiaram.

Quem agora o quiser recordar não deve olhar para as suas últimas fotografias, pois não o reconhece. O João da bossa nova morrera alguns tempos antes.

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