Futurologias contrastadas

A edição, o cinema, a rádio e a televisão estão a ser objecto de enormes mutações, fruto da conjunção da Internet e da digitalização. E o aparecimento dos tablets tácteis tem acelerado estas mutações, nomeadamente no que diz respeito à recepção, ao consumo dos conteúdos. Mas é sobretudo sobre o futuro de imprensa escrita (e mais exactamente: impressa) que as interrogações são mais frequentes, da parte dos simples cidadãos como dos especialistas.

Sobreviverá a imprensa ao maremoto tecnológico e sociológico que atravessa o universo dos media? As respostas dos futurólogos são bastante contrastadas. Há quem considere que o modelo da informação impressa, sobretudo diária, é obsoleto. E que, no fim de contas, o ciclo da imprensa impressa está a chegar ao fim. Há quem estime que 80% dos diários estado-unidenses vão desaparecer. E até Rupert Murdoch, incontestável bom conhecedor dos media, diz que os jornais, mesmo a pagamento, desaparecerão durante o próximo decénio.

Outros consideram que, no fim de contas, a crise actual será salutar. Que a verdade financeira das publicações virá naturalmente ao de cima, fazendo que só as melhores possam resistir. O que permitirá restabelecer o equilíbrio do mercado e favorecer assim a prosperidade dos sobreviventes. Só que a história mostrou suficientes vezes que, muitas das vezes, os futurólogos enganaram-se nas previsões que fizeram!

Daí que ninguém possa afirmar saber o que será o porvir da imprensa. E se acaso a história nos permitir, uma vez mais, antever vagamente o futuro, há constantes que parecem evidentes. Que nenhum media desapareceu depois de um novo ter surgido. Que a evolução dos suportes físicos provocou sempre uma transformação dos media existentes e o lançamento de novos media. Que os meios dirigentes precisam sempre de uma informação de qualidade, de referência, e estão prontos a pagar por ela. E actualmente é a imprensa que propõe os melhores conteúdos e o melhor conforto de leitura. Permitir-lhe-á isso sobreviver?...

Depois do fecho de 'News of the Word'

The Mail on Sunday (do grupo DMGT), de gama média, e Sunday Mirror (do Trinity-Mirror), "popular", são os dois dominicais londrinos que tiram mais proveito do fecho do "popular" News of the Word (da News Corporation), depois do escândalo das escutas telefónicas. O primeiro vende agora 2,1 milhões de exemplares e o segundo 1,9 milhão.

Imprensa é o primeiro empregador

Segundo dados publicados pelo Informe Anual de la Profesión Periodística, 44,1% dos jornalistas espanhóis trabalhavam em 2010 na imprensa, 21,8% na televisão, 16,9% em gabinetes de imprensa e departamentos de comunicação, 14,0% na rádio, 6,6% na Internet e 4,2 % em agências de informação, tendo 8,4% outras ocupações.

Justiça belga ataca Google

O ministério público belga acusa a Google de recolher dados da vida privada das pessoas quando os carros da empresa fazem filmagens para o serviço Street View. A justiça belga propõe à Google uma multa de 150 mil euros por infracção às disposições legais, a fim de evitar um processo e um agravamento da multa para 250 mil euros.

J-M. Nobre-Correia@ulb.ac.be

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