Inês N. Lourenço

Estou a torcer por Rio apesar do teimoso Rui

PremiumMeu Deus, eu, de esquerda, e só me faltava esta: sofrer pelo PSD... É um problema que se agrava. Antigamente confrontava-me com a fria ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, e agora vejo a clarividente e humana comentadora Manuela Ferreira Leite... Pacheco Pereira, um herói na cruzada anti-Sócrates, a voz mais clarividente sobre a tragédia da troika passista... tornou-se uma bússola! Quanto não desejei que Rangel tivesse ganho a Passos naquele congresso trágico para o país?!... Pudesse eu escolher para líder a seguir a Rio, apostava tudo em Moreira da Silva ou José Eduardo Martins... O PSD tomou conta dos meus pesadelos! Precisarei de ajuda...?

Daniel Deusdado

As 5 tendências da CES 2019: do 5G à realidade imersiva

Opinião de Eduardo Fitas, vice-Presidente da Accenture Portugal, responsável pela área de Comunicações, Media e Tecnologia. Terminou na passada sexta-feira mais uma edição da CES 2019, focado nas tecnologias inovadoras - 5G, realidade imersiva e confiança digital - que oferecem a mais recente personalização e experiência ao consumidor final, tornando possível um ecossistema conectado através de cidades e casas inteligentes e uma nova geração de automóveis. Verificou-se que há agora um maior investimento das empresas de forma a garantir uma maior segurança e privacidade dos dados, tendo a tecnologia blockchain como base. O CES 2019 confirmou as nossas suspeitas [...]

DN Insider

Choque sistémico colossal

Não há memória de uma derrota tão colossal de um primeiro-ministro na era moderna da política britânica. Quem mais se aproximou foi o trabalhista Ramsay MacDonald em 1924, por 166 votos, menos 64 do que Theresa May. Westminster viveu, por isso, um dia singular na sua história, o que em condições normais levaria de imediato à demissão da primeira-ministra, numa fuga humilhante pela porta dos fundos. Curiosamente, não é este o cenário mais plausível, pelo menos na forma abrupta que muitos esperavam.

Bernardo Pires de Lima

Faltam 72 dias para o Brexit. Ou não?

Uma coisa que anos a escrever sobre a União Europeia ensina é: as crises formam-se à vista de toda a gente, primeiro subestimam-se, depois arranjam-se soluções ad hoc, elaboram-se planos, normalmente rejeitados pelos cidadãos de um ou mais Estados membros, grita-se que não há plano B, que é assim ou não é, depois apanha-se mais uns choques, apregoa-se quase o apocalipse e, in extremis, eis que alguém, em algum sítio, em alguma circunstância, aparece com uma solução. Foi assim na crise da Constituição Europeia, do Tratado de Lisboa, o seu herdeiro, na crise das dívidas soberanas e do euro, da falência da Grécia e a sua quase saída da moeda única, com um referendo pelo meio também. Isto só para dar alguns exemplos.

Patrícia Viegas

Faltam 72 dias para o Brexit. Ou não?

Uma coisa que anos a escrever sobre a União Europeia ensina é: as crises formam-se à vista de toda a gente, primeiro subestimam-se, depois arranjam-se soluções ad hoc, elaboram-se planos, normalmente rejeitados pelos cidadãos de um ou mais Estados membros, grita-se que não há plano B, que é assim ou não é, depois apanha-se mais uns choques, apregoa-se quase o apocalipse e, in extremis, eis que alguém, em algum sítio, em alguma circunstância, aparece com uma solução. Foi assim na crise da Constituição Europeia, do Tratado de Lisboa, o seu herdeiro, na crise das dívidas soberanas e do euro, da falência da Grécia e a sua quase saída da moeda única, com um referendo pelo meio também. Isto só para dar alguns exemplos.

Patrícia Viegas

Choque sistémico colossal

Não há memória de uma derrota tão colossal de um primeiro-ministro na era moderna da política britânica. Quem mais se aproximou foi o trabalhista Ramsay MacDonald em 1924, por 166 votos, menos 64 do que Theresa May. Westminster viveu, por isso, um dia singular na sua história, o que em condições normais levaria de imediato à demissão da primeira-ministra, numa fuga humilhante pela porta dos fundos. Curiosamente, não é este o cenário mais plausível, pelo menos na forma abrupta que muitos esperavam.

Bernardo Pires de Lima

O que é que o 5G significa para o seu negócio?

Opinião de Nick Offin, Head of Sales, Marketing and Operations, da Toshiba Northern Europe. O 5G já está a criar alguma agitação em diversas indústrias. A mais recente investigação da Ericsson sobre a influência do 5G dentro de dez setores de indústria importantes - incluindo indústria transformadora, saúde, energia e utilities - encontrou que 78 por cento dos inquiridos acreditam que a tecnologia vai permitir que melhorem ou desenvolvam a oferta ao consumidor. Por isso, é claro que o 5G representa uma grande oportunidade para as empresas transformarem as suas operações e infraestruturas para o digital, mas como podem alcançar [...]

DN Insider

Mata-se na igreja de Fátima, Bangui

Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, capital da República Centro-Africana. Há missa e a igreja está cheia. Neste 1 de maio de 2018 são centenas os fiéis que escutam o padre Albert Toungoumale-Baba. De repente, tiros de metralhadora e granadas. Ao todo, 25 mortos, incluindo o sacerdote. Os atacantes pertencem a um dos grupos saídos do movimento Seleka, constituído por muçulmanos e que se notabilizou em 2013 por derrubar o presidente e lançar uma onda de violência contra os cristãos, 80% dos quase cinco milhões de centro-africanos.

Leonídio Paulo Ferreira

Do fim do bipolarismo ao risco global

Premium A duração de uma ordem de sinal ocidental naquilo que respeita à estabilidade tem um processo histórico de relativa limitação, interessando como ponto crucial de partida o que foi a paz de Westfália de 1648, a que se seguiu a veneração pela soberania e a definição do normativismo regulador das relações internacionais. Havia uma ordem internacional que não ignorava as hierarquias de poder. Não podiam evitar-se incidentes, que ganharam gravidade suficiente para que a hierarquia encaminhasse para a que seria chamada realpolitik, muito por influência da iniciativa expansionista do Reino Unido, da aventura napoleónica, da Santa Aliança, de modo que, como foi observado, o Ocidente considerou o resto do mundo como sendo apenas a sua circunstância exterior envolvente, longe de conseguir que nesta crescesse a adoção do modelo, ilusão que colheu os frutos diferentes com o colonialismo formador do conceito de Terceiro Mundo. Este beneficiando para a libertação política, com dois períodos significativos representados primeiro pela Sociedade das Nações, que destruiu os até então sobreviventes impérios organizativos do próprio Ocidente (alemão, austro-húngaro, russo, turco), e depois pela ONU, que marcou o começo do fim do império euromundista, mais uma vez com ação proeminente do mais poderoso membro da organização, os EUA, então firmes na articulação do atlantismo. Nos factos, o que se seguiu foi, como depois de Westfália, e continua em precaríssima evolução, a visão, agora globalista, de uma ordem definida exclusivamente por ocidentais, que procura harmonizar a anunciada igualdade dos Estados, antigos e nascentes, mas salvaguardando a hierarquia (Conselho de Segurança), a qual guardava o poder de decisão pelo veto dos cinco maiores (incluindo a ficção da representação da China por Taiwan) e o direito de as decisões serem obrigatórias, enquanto a assembleia geral votava apenas orientações, mas sem desigualdade de votos. As causas da degradação, em que a projetada ordem global se encontra, verificam-se não apenas na autonomia das múltiplas orientações do Terceiro Mundo libertado, mas no próprio Ocidente responsável pela prática da realpolitik que levou à Guerra Fria, que durou até à queda do Muro de Berlim, que perdurou a utopia do globalismo governado pela ONU, que ainda orientou a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) de 1964, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), animando os que consideraram a queda do Muro de Berlim como o fim da história e que, pela famosa proclamação da primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, "there is no alternative", abria no Ocidente caminho às políticas económicas liberais. Infelizmente o domínio da realpolitik impediu a autenticidade das política, isto é, a fidelidade ao projeto idealizado na ONU, com as imperfeições que o tempo limaria, e fez do pragmatismo, por vezes sem publicidade, a regra que levou à crise financeira em que o globo se encontra. Ao mesmo tempo, o tardio America First vai rompendo com o atlantismo e com a fidelidade aos tratados e remete para a prateleira das utopias sem valor as consequências no agravamento do outono ocidental. Ignorando que, por isso, contribui para a incapacidade demonstrada pelas negociações da não proliferação da capacidade nuclear, e dando um ar de esperança, em vez de aviso, aos que subscreveram o pensamento crítico de Pierre Grosser quando já em 2017 (Paris) publicou o seu L'Histoire du Monde se Fait en Asie -Une autre vision du XX siècle. De facto, tudo conduzindo a fazer do globalismo uma expressão que corresponde a ver a terra como uma "arena global", em que os Estados, incluindo vários europeus, veem nascer forças políticas orientadas pela memória da antiga soberania, com o desafio de compreender a distância entre as promessas democráticas e o trajeto das guerras em África, com a evidente urgência da avaliação do pan-islamismo, que abrange o turbilhão das migrações, e finalmente com o regresso da importância da estratégia militar atenta à precariedade da paz que a queda do Muro permitiu sonhar. O século XX defrontou-se com o conflito de três visões do futuro, a autoritária fascista, a não menos totalitarista soviética, e a democrática liberal. A arena global em que se encontra o globalismo obriga a meditar seriamente no aviso de Harari, no sentido de que a narrativa liberal enfrenta o facto de que "grande parte do nosso planeta está dominada por tiranos". A adesão à paz está longe de um apoio global.

Adriano Moreira

A Igreja e o sexo

PremiumNa sua obsessão pelo sexo, a Igreja não pode reclamar-se de Jesus. De facto, segundo os Evangelhos, Jesus raramente falou de sexo e, quando o fez, foi provocado por perguntas que lhe fizeram. E, aí, apelou para o amor, a fidelidade no casal e a igualdade do homem e da mulher. Apaixonado pela felicidade das pessoas, participou em festas de casamento e até fez com que aparecesse o vinho que faltava: 600 litros! Ele próprio celibatário, não impôs o celibato: São Pedro, por exemplo, era casado, e o celibato obrigatório para os padres na Igreja do Ocidente só começou a impor-se no século XI, com o Papa Gregório VII.

Anselmo Borges

E você com que idade gosta dos políticos?

Nesta semana, Tintin fez 90 anos. A série Os Sopranos, 20. Um escritor francês disse não apreciar mulheres de 50 anos, preferindo as de 25. Como o tempo passa... Ah, e antes que seja tarde, Luís Montenegro disse: "O estado do PSD é mau, preocupante e é irreversível." Por isso o jornalismo é fascinante e útil. Todos os assuntos aludidos merecem um bocejo por mil razões, e por outras tantas permitem uma boa conversa. É só saber escolher os ângulos.

Ferreira Fernandes

Que partido quer ser o PSD?

A política está mais rápida, como todas as coisas do mundo. Mas nove meses serão suficientes para um partido mandar um líder abaixo, eleger outro e dá-lo a conhecer? O PSD está convencido de que sim. Ou, melhor, uma parte do aparelho do PSD parece estar convencida de que sim. As sondagens ajudam ao raciocínio - com um PSD em queda, um PS longe da maioria absoluta e um CDS a galgar o lugar do BE. Em relação ao timing, há outros raciocínios possíveis, uns mais benévolos do que outros. As verdade é que as listas para as legislativas estão mesmo à porta - e aqui sempre se joga a força e o poder dentro de um partido, como bem provou a relação de Rui Rio com a sua própria bancada nos últimos meses.

Catarina Carvalho

É tudo uma questão de tempo

Se há coisa que o progresso nos tem trazido é o encurtamento do tempo. As novas tecnologias permitem resolver problemas ou tarefas ou contratos num tempo veloz, inimaginável há umas décadas, assim como antecipam as nossas necessidades, criando outras, para de imediato as satisfazer com propriedade. Estamos a habituar-nos, a viciar-nos, na rapidez, na velocidade. Queremos chegar mais depressa, sem perder tempo. Talvez tenha sido sempre assim, com a diferença de que agora, com as novas possibilidades, é mesmo possível comprimir o tempo, fazer forward, saltar etapas, chegar mais depressa.

Adolfo Mesquita Nunes

Permitir pode ser útil, mas é  sobretudo necessário

PremiumNa nossa sociedade, o papel do binómio proibição-permissão tem assumido grande relevo. A verdade é que uma das primeiras coisas que nos ensinam é precisamente o que nos é interdito e o que nos é permitido. Tem sido a primeira base estruturante do indivíduo, a nível comportamental e educacional, desde a infância, através da adolescência e até à idade adulta. É frequentemente na perceção que resulta deste binómio que alicerçamos as nossas noções do certo e do errado, do lícito e do ilícito, quando falamos de vida em comunidade. Nesta perspetiva, a da harmonização de costumes e modos de estar em conjunto, é óbvia a sua utilidade para a ordem estabelecida. Mas, quando falamos numa perspetiva mais complexa e mais ampla, como a das políticas públicas de saúde e sociais, o simples proibir basta? Não deveremos nós, enquanto pais, cidadãos e responsáveis políticos, ter a maturidade suficiente para atingir aquela fase de questionação saudável que todos atravessamos, em que se reflete sobre a proibição, a sua prática e a sua utilidade?

Maria Antónia de Almeida Santos