Dos Açores para o espaço

Em Portugal não se fabricam nem se lançam foguetões, não se constroem de raiz sondas para missões planetárias, e também não existe um astronauta português - ainda. Mas o espaço já não é alheio à nossa vida, e menos ainda ao nosso imaginário.


A primeira alunagem, pela missão Apollo 11, que em junho celebra 50 anos - já foi há meio século! -, despertou o mundo para a exploração espacial e alimentou-nos o sonho. Mas, por cá, a realidade tardou mais. A última década e meia, porém, viu nascer e crescer, até com alguma rapidez, um setor aeroespacial nacional, que é ainda embrionário, como todos reconhecem, mas que tem pontos fortes para competir internacionalmente, com produtos e softwares únicos e especializados, por exemplo, em telecomunicações, e que tem, sobretudo, potencial para crescer e se diversificar.


Chegar aqui teve muito a ver com a adesão em 2000 de Portugal à ESA, a agência espacial europeia, decidida pelo então ministro Mariano Gago (falecido em 2015) e com as oportunidades que isso permitiu criar. Hoje, o setor fatura por ano cerca de 40 milhões de euros, sobretudo em projetos com a ESA, com um retorno positivo de quatro euros por cada um que é investido. Agora é preciso dar o passo seguinte, e o certo é que o ministério de Manuel Heitor já definiu a estratégia para a próxima década.

O seu pilar central é a Agência Espacial Portuguesa, a Portugal Espaço, que será criada até março, e que era uma aspiração com mais de uma década do próprio sector. A agência, que começará a funcionar na primavera, a partir da ilha de Santa Maria, nos Açores, onde estará sediada, coordenará as atividades ligadas ao espaço e os respetivos financiamentos no país. O plano é que, juntamente com o futuro Air Center, que se tudo correr bem
começará a operar em 2021, também nos Açores, para o lançamento de micros-satélites e outras atividades espaciais, Portugal descole.

Em números, a aspiração é que o setor consiga captar cerca de 320 milhões euros (2%) da verba total do programa europeu de financiamento para o espaço, para a próxima década, e multiplicar por dez o seu volume de negócios até 2030, criando ainda mil novos empregos no setor, no mesmo período. Uma aposta que parece ter tudo para sair vencedora.

Exclusivos