PCP: Subvenções? São más, mas já agora...

No DN de hoje, na crónica da última página, sublinho como o caso das subvenções vitalícias entrou em força na campanha presidencial. Do mal-estar de Maria de Belém, subscritora do pedido para lhe ser devolvido o indecente privilégio, à indignação justa de Marisa Matias contra ele.

As subvenções vitalícias dos políticos são o que são: uma regalia. Aliás, mais. Não são só um poder abusivo, mas ainda por cima uma benesse atribuída a si próprios. Não sem razão, o BE é o partido que reage com mais firmeza. Pode, porque a sua indignação é coerente. Nenhum dos seus tem subvenção vitalícia porque já não as há, para novos políticos, desde 2005.

O PCP votou sempre contra a medida, mas tem uma prática hipócrita. São contra, mas os seus recebem-na. Parecem o célebre vídeo de Ricardo Araújo Pereira sobre Marcelo e o aborto. "A subvenção é má?" - "Siiiim..." - "Então, recusam-se a recebê-la?" - "Nãaao..."

Esta posição foi colocada num comunicado do PCP, publicado no Avante (em 27 de outubro de 2011). Votaram contra, em 1984, quando o privilégio foi proposto no parlamento. Porém, diz o comunicado, os eleitos comunistas não prescindem de "acederem a essa subvenção enquanto estiver em vigor." E porquê? Porque é "orientação do PCP a não utilização dessa verba em proveito pessoal e de esta ser colocada ao serviço dos trabalhadores e do povo português do seu esclarecimento e da sua luta." Recebem a subvenção mas, atenção, ela vai para uma boa causa, o partido.

Na verdade, é o que deve pensar um deputado dos "partidos burgueses". Fica com a subvenção para viajar (ou comprar mais livros), para melhor saber defender o povo português. Ou só um partido é que tem uma boa causa?

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