O milho para pombos no novo Parlamento

O que levou à detenção de José Sócrates há seis meses não é conhecido. A nossa justiça é demasiado lenta. De novo, sabemos, porque o próprio Sócrates o disse, que ele pediu dinheiro a um amigo. Muito dinheiro. Como esse amigo teve vários negócios com o Estado quando Sócrates era governante, é legítimo que a justiça investigue. Essa legitimidade não imputa por si só nenhuma culpabilidade criminal a Sócrates. Mas responsabiliza-o dum erro político: um dirigente político tem, além de honesto, de parecer. Não é frase batida, Sócrates sabe-o, por isso mentia quando dizia que vivia só dum empréstimo bancário. Com este "caso Sócrates", temos até agora, patenteadas, duas situações graves: a lentidão da justiça e Sócrates ter mentido. Nada de novo, já conhecemos o mesmo noutras circunstâncias e com outros protagonistas. Mas pode vir a acontecer uma de duas situações bem mais graves: ou a justiça não conseguir produzir prova, depois do estardalhaço que fez com a detenção, ou um ex-primeiro-ministro ser condenado por corrupção. E, sobretudo, acontece já uma situação iníqua: a justiça fornece informações inquinadas aos jornais. Também não é novo. O milho de pombos dado por justiceiros oficiais a jornalistas canalhas é uma tradição nacional. Ao contrário de muita opinião agora expressa, considero que este assunto não é para lama eleitoral (seria o sonho dos fornecedores de milho), mas prioridade de todos os políticos no próximo Parlamento.

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Contratos públicos

Empresa que contratava médicos para prisões não pagou e sumiu

O Estado adjudicou à Corevalue Healthcare Solutions, Lda. o recrutamento de médicos, enfermeiros, psicólogos e auxiliares para as prisões. A empresa recrutou, não pagou e está incontactável. Em Lisboa há mais de 30 profissionais nesta situação e 40 mil euros por pagar. A Direção dos Serviços Prisionais diz nada poder fazer.