O Governo entre Bruno de Carvalho e Jorge Miranda

A conversa política entre nós não consegue ser moderada e razoável por motivos que o futebol televisivo explica melhor. O futebol telefalado salta (salta, de extremo a extremo) do diálogo Bruno de Carvalho-Pedro Guerra, tipo "vai tu!", para a linguagem esotérica do comentador da "carência tático-técnica em situação de um para um" (o jogador perdeu a bola). Não sei se a maior vítima da crise financeira são as classes médias, mas que o futebol é comentado por extremos - ou por pregões de peixeiras ou por nietzschianos encartados - não tenho a menor das dúvidas. Assim também é com a política, lerpam os cidadãos com bom senso. Daí termos ficado estupefactos com os resultados eleitorais - não admira, chegámos a eles por baixo ("aquilo é tudo uma cambada") ou por cima ("como diz a douta tese do professor Jorge Miranda")... Broeiros ou constitucionalistas, nada no meio, eis a nossa condição. Ora nós estamos a falar de uma coisa complexa mas não necessariamente complicada que é a formação dum governo. Tivéssemos nós, não o desprezo dos brutos nem a arrogância dos snobes, mas a ciência dos comuns, saberíamos que nos acontece, tão-só, uma história de homens, de poder e de poderes. Ontem, o líder do PSD ofereceu publicamente um cargo governativo a António Costa, com o acinte e a normalidade que isso significa. Se até Passos Coelho percebe o negócio (negação de ócio) que tudo isto é, não há razão para também nós não percebermos.

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