Não é por ser inócuo que nos devemos calar

A 4 de outubro, houve uma revolução, cuja dimensão fica entre Revolução Industrial e a minha revolução pessoal, esta semana, em deixar de comer fiambre. Mas 4 de outubro trouxe, mesmo, uma rutura. Antes, havia dois partidos que se autoexcluíam de governar. Depois, os deputados tresmalhados do BE e do PC passaram a querer ser tão normais quanto os restantes. Vale o que vale, não vale o motor a vapor de James Watt mas vale mais do que o meu temor de carnes processadas. O que vivemos por estes dias foi um avanço da nossa democracia. Ganhámos todos. Bloquistas e comunistas por, enfim, poderem dar o seu contributo sem meio mas. Socialistas, apesar do risco que passam a correr com alianças instáveis. E a direita, apesar de perderem a cumplicidade implícita que a autoexclusão do BE e do PC lhes trazia nas contas parlamentares... Hoje, a nossa democracia está mais adulta. Uma revolução, disse eu, apesar do abrupto estender-se sempre um bocadinho no tempo. A Revolução Russa, de 1917, foi também uma em fevereiro, com a democracia parlamentar, e outra em outubro, quando os sovietes assaltaram o Parlamento. É, as revoluções às vezes andam para trás. A nossa revoluçãozinha, passo em frente, está feita. Aquilo do sindicalista Arménio Carlos querer ir para a porta da AR no dia do voto de rejeição não é, claro!, querer repetir 1917. É só tolice. Que ele não a entenda é a prova de que as boas revoluções são as reformas permanentes.

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