Trump tira o sono aos seus

Conclusões da Super-Terça: Hillary Clinton vai ser nomeada em junho; e aquele que vai chegar com mais delegados ganhos nas primárias à convenção republicana, em julho, Donald Trump, pode, talvez, quiçá, provavelmente, ser o candidato nomeado... Ontem, ela passeou pelos estados do Sul e ganhou ainda o Massachusetts, 7 das 12 primárias em disputa, e o seu adversário, Bernie Sanders, não conseguiu aparecer como alternativa - a diferença vai aprofundar-se nas próximas primárias. Do lado republicano, Trump ganhou 7 em 11.

Na semana passada, o historiador e colunista reputado Robert Kagan, político conservador, assinou uma crónica no Washington Post com título desesperado: "Trump é o monstro do Frankenstein. Agora já é forte para destruir o partido." As linhas finais da coluna repetem a ideia: "Para este antigo republicano", diz Kagan falando de si próprio, "e talvez para outros, a única escolha será votar em Hillary Clinton. O Partido Republicano talvez já não possa ser salvo. Mas o país, sim."

Hoje, o mesmo The Washington Post classifica a Super-Terça, as primárias de ontem, como um pesadelo para o Partido Republicano. Como se livrar do candidato Teflon (uma alusão ao produto anti-aderência das frigideiras que, como Trump, nunca se queimam)? Contra o incendiário que fica sempre incólume, apesar do que atiça, há apelos para que os pré-candidatos desistam, ou para Marco Rubio ou para Ted Cruz, numa frente comum que minimize as derrotas até chegar à convenção.

De 18 a 21 de julho, em Cleveland, a convenção republicana vai escolher o seu candidato. Hoje, segundo o New York Times, Donald Trump tem pouco mais de 400 delegados, dos 1237 que são necessários para a nomeação. Mas em Cleveland, além dos delegados vindos das primárias, haverá delegados que cada estado mandará pelos congressistas e governadores do partido.

A influência destes notáveis é muito importante numa convenção. Segundo o blogue FiveThirtyEight, especializado em estatísticas políticas, nesses apoios de personalidades institucionais, Trump é pouco beneficiado: tem só 29. Cruz, tem 34, e o menino bonito do partido é Rubio, com 157. A convenção será dramática e, a ser muito controversa nos resultados, enfraquecerá o candidato que dela sair.

Nessa altura, já Hillary Clinton foi escolhida há mais de um mês e poderá continuar a preparar-se para a eleição final, em novembro. O Partido Democrata marcou cedo a sua convenção, para junho. Ficou com mais tempo para convencer aqueles que são a base fiel de Hillary, os negros e outras minorias, geralmente avessos a inscrever-se nos cadernos eleitorais a tempo.

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