Trump aproxima-se de Hillary

Soam alertas. Alertas simples, sem julgamento, mas assinalando a importância. Ou de levar as mãos à cabeça (e eu julgo que é caso para isso) por causa do perigo iminente. O assunto é Trump, que está a aproximar-se de Hillary Clinton. Entre os assustados, está o jornal online The Huffington Post, na edição americana. Este tem o costume de afixar as suas preferências e, no caso do candidato republicano, sublinha-as pela oposição. De cada vez que dedica um artigo a Donald Trump, faz um aviso: "Trump instiga violência política, é um mentiroso contumaz, um xenófobo descontrolado, racista e misógino." Esta semana, o jornal titulou "Trump diz que vai publicar a sua declaração de impostos." E sob esse, publicou outro título: "Não vai nada!"

As opiniões estão extremadas - e como é com Trump há razões para estarem (é a minha pacata opinião). Mas, para lá das opiniões, é necessário tentar responder a uma dúvida. O que era certo há um ano - Trump não tinha hipóteses de ganhar - e há três meses já só era quase certo, mudou? Trump pode ganhar? O site online americano FiveThirtyEight considera ser assunto a ponderar.

O site é reputado de grande especialista na leitura de sondagens americanas - aliás, o seu título em inglês diz o número (538) dos membros do colégio eleitoral que, em novembro, vão eleger o novo Presidente. Ontem, o 538 publicou um discussão entre os seus especialistas: "Porque está Trump a aproximar-se de Clinton?"

Ontem também, Nate Silver, o guru do 538 - a que se dedica em exclusividade depois de ter tido uma coluna no New York Times nas duas presidenciais anteriores -, insistiu no tema: "As sondagens nos swings states também estão a estreitar." Sabe-se, as eleições americanas não se contam pelo bolo total dos eleitores. Cada um 50 estados têm uma percentagem, correspondente à sua população, e o vencedor em cada estado fica com o total dos votos desse estado. Assim, nos dois mais populosos, Califórnia (55 dos 538 votos eleitorais) e Texas (38) há sempre pouca campanha eleitoral, porque é certo os votos da primeira irem para os democratas e os do segundo para os republicanos. Os estados swing (dançarinos), que mudam de voto quase todos os quatro anos, são por isso os decisivos.

Se hoje já se pode pintar parte importante do mapa eleitoral de vermelho (republicanos, grosso modo, os estados do centro) ou de azul (democratas, das duas costas, Atlântico, sobretudo do norte, e do Pacífico), os estados púrpura (vermelho ou azul?) são a incógnita. E nestes, os mais importantes eram há um mês quase certos para Hillary (Florida, Carolina do Norte, Ohio e Pensilvânia), a dúvida voltou.

O primeiro debate entre Trump e Hillary, a 26 de setembro, pode mudar a opinião pública. Na conversa entre os especialistas do 538, alguém disse que isso seria mau para o republicano: "Não vejo como o debate pode ser bom para Trump..." Nate Silver não está tão certo, e respondeu: "Há o jogo das expectativas, os jornalistas usam essa história para justificar terem a sua interpretação arrevesada do debate." Isto é, as expectativas em Trump são tão baixas que qualquer coisinha lhe correr bem, a mensagem de vitória passa...

A coisa será decidida pelos números secos do resultado da eleição, mas que estamos a viver momentos emocionantes, estamos...

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