SIC, um preâmbulo penoso

A SIC inaugurou a sua nova fórmula de entrevistas. Recebe longamente o futuro entrevistado e, depois, leva-o para um corredor, para a entrevista. Ontem, entrevistador, José Manuel Mestre, um experimentado jornalista, com microfone na mão; entrevistado, António Costa, primeiro-ministro. Ambos de pé. Ao fundo do corredor, uma acompanhante do primeiro-ministro espreitava, saía e regressava ao cenário. Interessante o elemento inovador: o entrevistado traz um acompanhante e, pela impaciência deste, sabe-se que a entrevista está, ou não, prestes a acabar. Poupa-se em relógios. A conversa, entretanto, flui entre o entrevistador e o entrevistado, o Mestre e o Costa. Aí, a coisa já decorre de forma ortodoxa - um pergunta, o outro responde, como acontece nas entrevistas. O ambiente era de tal modo de conversa que António Costa até se permitiu dizer para o entrevistador, no início da entrevista: "Não quero estimular a concorrência entre si e o José Gomes Ferreira." O entrevistado lembrou, assim, outro insólito nesta variante inovadora da SIC: momentos antes, o tal Ferreira serviu para fazer a transição entre a chegada do entrevistado e a entrevista propriamente dita. Ambos sentados, Ferreira dizia coisas, sorria, com subentendidos que ele lá sabe, e, quando o Costa ia a responder, dizia que não havia tempo e punha nova pergunta. Se a SIC tirar essa parte inicial, penosa e sentada, a nova fórmula de entrevistas de pé até pode ser interessante.