Oh pra mim a ingerir-me em assunto meu!

Há dez dias, Portugal assistiu a um ato eleitoral, contra ou a favor do qual nada podia fazer. E, no entanto, um dos possíveis resultados dessa eleição - entre Le Pen ou Macron, ganhar Le Pen - mudaria a nossa vida. De facto, iria pôr Portugal de pantanas, sem euro nem Europa. Ora, essa hipótese tremenda até podia ter acontecido, bastava Macron ter falhado o único debate - ao invés, ele foi arrasador. Uff! Adiou-se a hipótese antieuropeia e anti-euro (e provavelmente antidemocrática). Mas ela pode voltar, e mais forte, como tem sucedido há 20 anos, basta Macron falhar a sua presidência. Devemos interessadamente seguir a política francesa. Macron chegou ao Eliseu, o que de nada vale se o seu movimento La République en Marche (LRM) não conseguir maioria parlamentar, nas legislativas de junho. Que Macron tenha ganho a presidência à custa da derrota dos dois pilares tradicionais, os gaullistas e os socialistas, é assunto interno francês. Que Macron consiga uma política diferente desses dois, que durante décadas se mostraram incapazes de se opor à ascensão até agora irresistível do extremismo, é assunto nosso, também. Não seria boa, apesar de adiada, a hipótese de pantanas, sem euro nem Europa, em 2022, na volta duma Le Pen mais forte. Nada podemos fazer, mas devemos desejar que Macron arraste consigo o que da direita e da esquerda precisa para governar. O resto que não for por aí não conta, a política tem horror à impotência.

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