O Freud a mais no caso dos comandos

Era talvez melhor menos divãs nos tribunais. É tão mais interessante estudar análises de laboratório, confrontar testemunhos, medir os tempos... Mas não, entre nós o Dr. Freud entra sempre a galope. É a nossa tendência irracional para o diagnóstico psíquico. Dois instruendos morreram e nove outros foram internados durante provas físicas de um curso do Regimento de Comandos. Claro que é caso para investigar, tirar a limpo as responsabilidades. Ontem, sete instrutores (cinco oficiais e dois sargentos) foram detidos, passaram a noite no presídio de Tomar e hoje vão ser presentes a um juiz. Para a decisão da necessidade de detenção e não simples convocatória, a procuradora do processo - lê-se num documento ontem divulgado pelo Expresso - teve em conta a "personalidade dos suspeitos, movidos por ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do Grupo de Comandos, cuja supremacia apregoam". Lá está o Dr. Freud, o cavalo e o salto para uma pista movediça. Eu preferia que assunto tão sensível não fosse ocupado por um debate de psiquiatras. Correr até à exaustão, gritar e rastejar para se prepararem para matar já traz em si indícios de irracionalidade - mas o facto é que precisamos de que alguém se prepare assim para nos defender. Daí, ao julgar militares, deviam convocar-se os factos - e este caso parece tê-los - e o menos possível divãs.

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