Não é Hillary Clinton! É uma sósia...

Os japoneses ouviram pela primeira vez a voz do seu imperador quando Hirohito se rendeu aos americanos e a primeira foto que viram dele foi ao lado do general MacArthur. Razão tinham os imperadores japoneses em se esconder dos súbditos. Estende-se a mão ao povo e eles querem logo perscrutar o lóbulo da orelha! É o que está a acontecer a Hillary Clinton... "Não é ela, é uma dupla!", eis a mais recente suspeita dos conspiracionistas americanos.

Depois do mais famoso desmaio do século - Hillary atingida pelos vírus da pneumonia no 11 de setembro (de 2016) -, os desconfiados puseram-se à cata dos pormenores estranhos nas imagens. Os vídeos são estudados, frame a frame, de forma tão meticulosa como foram os da queda das Torres Gémeas. Simples indisposição? Logo se comparam, com zooms, dois atentados: o desmoronar da candidata (por mero vírus) a entrar na van, entre vários guardas-costas em pânico, e, no atentado de 1981, Ronald Reagan, com o pulmão perfurado e um tiro no ventre, de pé e apoiado só por dois guardas, entrando para o carro que o levou ao hospital. Conclusão? Mas que conclusão? O importante é ficarmos com esta ideia: aqui há gato...

Prosseguindo nas suspeitas... Depois de metida na van em - talvez, quiçá, quem sabe, mas tudo indica - estado comatoso, Hillary reaparece duas horas depois, fresca. Mas seria mesmo a Hillary Rodham Clinton? A tese para os sites que foram criados, como o HillarysBodyDouble, é que ela tem uma dupla. Um impersonator, um imitador, um sósia como Elvis teve e tem tantos. E é aí que a minúcia se aprimora para provar as suspeitas: as maçãs do rosto não são as mesmas, o corte de cabelo e o tamanho do ventre variam, e - esta é a melhor pulga na orelha - os lóbulos (lobulus auriculae, sejamos científicos) diferem.

Esta campanha eleitoral americana, já de si estranha, passa a ter um ticket com três personagens: Hillary 1, Hillary 2 e Tim Kaine para a vice-presidência. Já os republicanos concorrem com um só Donald Trump e, francamente, chega.

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Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.