Lula emaranhado em polvo

Ao longo do dia, é seguir os três jornais: A Folha, O Globo e o Estadão. Custo zero; língua, a nossa; e assunto próximo (diria irmão, se não fosse termo batido). "Há evidências significativas de que Lula recebeu dinheiro de desvios da Petrobras" diz o Ministério Público.

Fardados e armados, os polícias invadiram e fizeram buscas no apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo, nos arredores de São Paulo. E entraram na fazenda de Atibaia, que as autoridades julgam pertencer a Lula, apesar de estar em nome de testa-de-ferro. Lula foi obrigado a acompanhar a polícia para interrogatório...

Em 2014, a Polícia Federal lançou a operação Lava Jato, atacando esquemas de corrupção entre grandes empresas e políticos, essencialmente ligados ao PT, o partido de Lula e da presidenta Dilma Roussef. Desde essa data, a operação já teve 23 fases.

À 24ª, a desencadeada esta amanhã, a polícia deu o nome de Aletheia. Era o nome que os antigos gregos davam à verdade, ou realidade. O termo que se opunha a doxa, opinião, conjetura ou aquilo que se crê ser verdade ou factos, mas não o é necessariamente.

Fase Aletheia, pois. Verdade ou pretensão? Fotos e vídeos (factos) dão conta de confrontos de populares, pró e anti-Lula (quem está certo?), em São Paulo. A palavra Aletheia é sempre ousada para nome de investigação policial. É boa para investigações em geral: não é próprio da polícia ir em busca da verdade? Já para uma, em particular, é dar como provado o que falta ser. O PT diz em comunicado: "Lula é preso político." Também isso não é aletheia, é doxa. E da suspeita.

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