Desta vez Trump não chega para desculpa

Ignore-se a figura encimada por amarelo torrado (hoje já mais encanecido), esse Donald Trump que desvirtua qualquer discussão, e os factos são: na cimeira de 2014, os membros da NATO garantiram que iriam consagrar 2% do seu PIB à Defesa até 2024. Porém, quase três em quatro dos 29 signatários do acordo - entre eles, a Alemanha, o país que deve a sua sobrevivência e unidade ao que a NATO fez por ela durante décadas - estão abaixo daquela meta e dificilmente a podem vir a atingir no prazo prometido.

Aquele patamar foi decidido já depois de a Europa conhecer os perigos modernos, enormes e iminentes que defronta, nomeadamente o terrorismo islâmico. Enfim, não terá sido com um encolher de ombros que se decidiu aquela meta. Entre outras contas feitas para lá chegar, foi considerado que, como na Bélgica, um terço das despesas vão para reformas dos militares, o que de pouco servirá para os propósitos de defesa invocados. Quer dizer, aqueles 2% não eram do tipo logo se vê, era um mínimo necessário.

E, no entanto, o incumprimento europeu é o já referido. Claro, o desbocado do Trump é um cego negociante que deste assunto vital (a defesa da Europa e da América e a segurança do mundo) só pretende colher vantagens comerciais. Falou grosso aos seus aliados, ontem, o que vamos ter ocasião de contrastar, já para a semana, com os modos como tratará o seu cúmplice Vladimir Putin. Seja. Mas nem essa figura sinistra desta vez eclipsa outras responsabilidades. Neste caso, as nossas, da Europa.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.