Premium Carta aberta a um novato

Um belo dia para nascer, aquele em que escrevo a 19 de julho, ontem. Nascido a 19 de julho!, bela data. Tão bela como 8 de outubro, ou 12 de abril, sei lá, 5 de maio, qualquer dia do calendário. Então, por que escolho o dia de ontem? Porque sim.

O que quer que seja que a vida venha a dar, o nascer de um homem ou de uma mulher é a mais forte das religiões, a esperança mais legítima nos mais importantes testemunhos que há, os homens e as mulheres. Escolho um 19 de julho para falar dessa maravilha, homens e mulheres, porque é véspera da concorrência de data muito mais forte, o 20 de julho.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.