Caridade com quem não merece

Em 1993, o padre Frederico Cunha foi julgado e condenado na Madeira por homicídio de um menor. Estive no julgamento e lembro-me de ter escrito sobre a angústia que eu teria em ser juiz da morte do rapazinho que caiu das escarpas do Caniçal: o padre nunca confessou, nem havia testemunhas. De facto, o juiz condenou, disse-o na sentença, "por convicção". Havia, porém, crimes de Frederico Cunha, esses, sim, com testemunhas várias. Menores depuseram em tribunal sobre o assédio sexual que ele lhes fez, acusações que nem foram refutadas pelo réu. Apesar disso, o então bispo do Funchal comparou a actuação judicial contra Frederico à "perseguição que fizeram a Cristo". É notável que os indícios de abuso de menores não tenham dado prudência ao bispo no seu apoio ao padre. Essa nossa história antiga pertence ao escândalo mundial em que a Igreja Católica é, agora, denunciada pelo seu comportamento com casos comprovados de pedofilia de padres. O cardeal Saraiva Martins, perante a dúbia actuação da hierarquia católica nesses casos, comparou a atitude da Igreja com a de uma "família que lava a roupa suja em casa." Ora a questão não é a casa da Igreja ter pedófilos - é um pecado de que nenhuma família está livre. O problema é eles, conhecidos, não terem sido expulsos.

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Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

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Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

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Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.