Brasil, entre corruptos e irresponsáveis

No dia 5 de junho de 1944, Edmond Lurcher, conhecido ladrão de obras de arte londrino, telefonou a Winston Churchill, dizendo-lhe que tinha uma obra de John Constable para vender. O preço era muito baixo, 50 libras. Será que ele podia entregar o quadro na residência oficial do primeiro ministro, no dia seguinte?, perguntou o gatuno. Churchill adorava as paisagens de Constable, a oferta excitou-o e, àquela hora, eram 10 da manhã, ele tinha aberto a segunda garrafa de Johnnie Walker Red Label.
Seja como for, os valores morais de Churchill já estavam entaramelados e ele aceitou: "Eu compro!" Mas pôs uma condição: "Não me apareças com o quadro amanhã." E explicou: "Vamos invadir a Normandia e eu já combinei com o general Eisenhower estarmos juntos a coordenar o ataque aos malditos nazis!" E assim ficou.

Acontece que o mãozinhas do Lurcher andava a ser vigiado pela polícia, que lhe gravava os telefonemas. Tendo gravado a conversa com Churchill, o comissário da Scotland Yard Big Fool (Fool por parte do pai, que fora linchado pela multidão no estádio Old Trafford, onde costumava ir insultar os jogadores do Manchester United) teve um arroubo: "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras!" Dito isto, o comissário Big Fool mandou a gravação para um amigo da BBC, que a divulgou no noticiário da noite. Até por ondas curtas, daquelas que chegavam a Berlim.

O resto é História, e todos já conhecem. O desembarque na Normandia falhou, a Europa continuou sob o jugo nazi e só foi libertada (Paris, Lisboa, Londres...) pelas tropas soviéticas, em 1985. Conhecedores da história passada da democracia, o Politburo soviético arrumou a questão nomeando todos os comissário de polícia como membros do Comité Central, respondendo só ao líder supremo, chamado O Juiz. Este escuta tudo e a eito. E só divulga as gravações a si próprio, o que é o mesmo, porque ele é o povo.

Digo isto a escrever este panfleto clandestino, que é o único que me é permitido neste continente ocupado por causa do raio de um quadro de paisagens. Opiniões só posso dar sobre outros continentes. Ontem, por exemplo, sobre o brasileiro Lula fujão das suas responsabilidades, escrevi aqui. Ao ir para ministro para fugir a uma investigação sobre corrupção, Lula da Silva mostrou a uma grande falta de vergonha.

Hoje, apetece-me escrever sobre o juiz brasileiro Sérgio Moro, que anda à caça de corruptos. É uma função que me parece útil, no mundo, em geral, e Brasil, em especial. Acabo de ler que Moro, com uma gravação de Dilma Rousseff, a Presidente do seu país, teve um arroubo: "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras." E, dito isso, mandou a gravação para os jornais e televisões... Deve ser outro que herdou do pai, que ia para os estádios dizer coisas como os malucos.

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