Barroso em Bruxelas passa a ser o lóbi mau

Felizmente os 11 de Setembro não servem só para imbecis medievais atirarem aviões contra torres simbólicas, mas também para se dar modernas bofetadas de luva branca a torres de marfim. Este domingo, o Financial Times (FT) anunciou uma medida que começa a limpar-nos a alma. Quando se soube da falta de vergonha da ida de Durão Barroso (ex-presidente da Comissão Europeia) para o Goldman Sachs (banco que traficou as contas europeias), pensou-se que só nos restava a indignação. Também escrevi um texto indignado e também estava convencido de que não se iria além do encolher de ombros. Pois não foi assim. Segundo o FT, Jean-Claude Juncker retirou a Barroso, seu antecessor, os privilégios de antigo presidente da Comissão Europeia, a passadeira vermelha VIP que lhe permitia chegar a Bruxelas e ser recebido por quem é quem. Juncker decidiu que Barroso em Bruxelas não é mais o "ex-presidente" da Comissão, mas o lobista que chega. Isto é, os contactos serão controlados - com quem e que instituições, sobre o quê e durante quanto tempo o "representante de interesses" pede e tem encontros. Os vingadores, geralmente mais movidos pela inveja do que pelo civismo, talvez preferissem medidas retroativas. Mas a clarificação a que fica sujeito o lobista Durão Barroso é mais útil para a formação de ambos - povo e políticos. Com este pormenor: a solução não tendo vindo de baixo, é porque em cima começa a considerar-se a decência como uma necessidade urgente.

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