Apelo urgente: ouçam o que eu digo

Andei pela estrada fora nas eleições americanas de 2008, mas encontrava-me com um sábio todas as noites, nos motéis onde ficava. A internet, além de poses de gatinhos, esconde maravilhas. Naqueles dias, o especialista de sondagens Larry Sabato e o seu site Crystal Ball (Bola de Cristal) iluminavam-me. No dia em que os americanos foram a votos, a minha crónica no DN acabava com dois números cabalísticos, 364 e 174, para os quais eu prometia explicação no dia seguinte. Obama acabou por ter 365 e McCain 173. Foi uma tangente notável, se tivermos em conta que há 50 estados na América, cada um valendo votos eleitorais díspares e muitas possibilidades de permutações. A tangente foi mérito, claro, do meu sábio. Ontem, depois da má-fé da Liga do futebol profissional em marcar jogos para o dia das autárquicas, aproveitando as lacunas da lei, escrevi que ela merecia resposta pronta: "Quem faz as leis que tire as devidas conclusões..." Ontem mesmo, o governo fez saber que a partir do próximo ano não haverá jogos em dias de eleições! Claro, também aqui não houve dote de adivinhação meu. Talvez só uma crença no bom senso que, coisa rara, foi justificada. Se calhar, o quarto poder é só esse: pedir bom senso. Mas se for caso de haver alguma conjunção dos astros comigo, quero prevenir uma certa e determinada entidade de que amanhã, por volta das 20.30, calharia bem os seguintes números cabalísticos: 7-14-17-23-30 e 6 e 9, nas estrelas. Obrigado.

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