A trampa que pensou que sou Trump

Hoje, alguém me tomou por Donald Trump, vocês sabem aquele boquirrota com alcatifa na testa. Enganou-se. Sou galopantemente careca assumido e falo dos outros com respeito. Exceto quando o perco, o respeito. Como é o caso com o canalha que insultou um homem sério entrando na caixa de comentários da minha crónica de hoje ("Ah, já sabiam? E não fizeram um escândalo?!").

Ontem à noite, Donald Trump estava em campanha numa cidade de New Hampshire. De repente, do palco, disse: "Ela acaba de dizer uma coisa terrível!", e apontou para uma mulher que na sala havia gritado. "Sabem o que ela disse?", perguntou à multidão. E provocou a tal mulher: "Grite mais alto porque não quero ser eu a dizer!"

Até os fãs de Trump têm algum pudor e, por vezes, não gostam de descer ao nível em que ele costuma chafurdar. Protestaram, não queriam que ela falasse. Mas o candidato não queria perder a oportunidade de mais um exercício de linguagem vadia: "OK, eu proíbo-a de o dizer. Ela disse que Ted Cruz é um pussy [tradução suave: "um mariquinhas".]

Armado em rémora, um tal Diogo Mendes entrou na minha caixa de comentário e tentou lançar lama sobre um homem sério e respeitado. Este nunca precisou de ninguém que o defendesse. Eu é que preciso, pois fiz o papel de alguém que arrasta lixo atrás de si. Preciso de dizer que o que se agarrou à minha crónica decente tem tanto a ver comigo como a porcaria que por vezes se cola aos meus sapatos.

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.