A luta desigual e injusta: Uber contra táxis

Conta o site do DN que, esta manhã, enquanto um tribunal de Lisboa condenava um taxista por ter furado os pneus de uma viatura da Uber, taxistas agrediam um motorista da mesma empresa, junto ao Hotel Sheraton, no Porto. Eis um conflito com largo futuro! A plebe (taxistas e motoristas) combate-se, águas violentas de quem se fala, enquanto ninguém fala das margens que a comprimem: um abuso internacional chamado Uber.

É uma companhia internacional com muito dinheiro, disposta a fortes perdas nos anos iniciais. Segundo The Information, um site de notícias sobre tecnologia, baseado em São Francisco, nos primeiros nove meses de 2015, a Uber perdeu 1,7 mil milhões de dólares, contra 1,2 mil milhões de receitas. Em vários cidades americanas os preços de aluguer são inferiores à depreciação do veículo e ao custo da gasolina. Com investidores como o Google e a Amazon, o queimar de dinheiro parece não ser importante - a hora é de terra queimada (sob a aparência de serviço limpo) e logo se verá.

No Reino Unido, a Uber está a gastar por ano quase de 4 milhões de euros, em lobbying e Relações Públicas. Para derrotar os 25 mil táxis londrinos há que conduzir depressa. Aparentemente, os derrotados seriam só taxistas, o que poderia ser coisa de somenos, na História económica sempre os houve: também os tecelões de Lyon queimaram as primeiras máquinas de tecer, e acabaram por perder. Só que a luta é injusta: segundo o jornal Guardian, no ano passado, para um lucro de 866 mil libras, a Uber pagou 22 mil de impostos, no Reino Unido. Isto é, 2,5%!

Os consumidores de um serviço agora indubitavelmente melhor devem preparar-se para futuros menos cómodos, quando a Uber fizer desaparecer a concorrência e tiver preços mais condizentes com os custos. E, já agora, as obrigações fiscais que, espera-se, venham a ter. Os próprios motoristas da Uber já estão a ver para onde vão: os 30% que lhes cabia das corridas, já passou para 20%...

Resta o mexilhão desta história, os taxistas. Em Portugal, um dos raros destinos (com abrir um café) a que um remediado ainda podia aceder, com um negócio só dele. Deixaram que a profissão decaísse, como confirmam quase sempre os clientes. E as reações violentas acima narradas são inadmissíveis, os tribunais agindo como devem. Mas o Estado deveria mostrar que não lhe é indiferente a desigualdade com que a concorrência é feita: à Uber devem ser impostas (a começar pelos impostos) as mesmas obrigações que aos táxis.

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