A história aparece-nos nas esquinas

Os protagonistas desta história são Julian Assange e a sua WikiLeaks, ex-campeões da transparência, mas meros chantagistas. Esta semana, a revista The Atlantic revelou as conversas entre Trump Jr. e a WikiLeaks, nas vésperas da eleição de Donald Trump. A WikiLeaks oferecia material para derrotar Hillary e, em troca, pedia o apoio de Trump para Assange ser embaixador nos EUA. O costume: para os outros, transparência; para nós, negócios escuros... Em 14/12/2010, há sete anos, aqui, no auge da beata admiração pelo cavaleiro da verdade, escrevi a seguinte crónica (desbasto para caber): "Nixon deve dar voltas ao túmulo pelo tolo que foi. Ele ficou como o único presidente americano expulso do cargo por mau comportamento, mas o que o incriminou faria dele, hoje, o campeão da transparência... Lembremos, 1972, e o prédio Watergate, a sede do Partido Democrata. Nixon mandou cinco capangas pôr escutas nos adversários. Estava, no fundo, só a vazar o sigilo, os segredinhos de uns celerados... O errado em Nixon, sabemos agora pelo que vai por aí de elogios ao tal Assange, não foi ter espiado um partido legítimo - foi não ter partilhado connosco o que diziam os escutados à sorrelfa. Tivesse sido Nixon o Garganta Funda que falou com os jornalistas do Washington Post - não para denunciar os microfones postos, mas para contar o que os micros escutaram - e hoje ele seria um herói romântico, um defensor da liberdade de imprensa." Fim de citação e de ilusão (espero).

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Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

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Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.