2017, ano das senhoras extremistas?

As duas locomotivas da Europa, Alemanha e França, não entenderam a necessidade duma política europeia comum. Essa ausência pode ter engendrado uma presença muito perigosa. A Natureza tem horror ao vazio. E a Europa, pelos vistos, também. Basicamente é isto: ou destino comum ou destino comum. O segundo é muito mau.

A Alemanha é governada por uma coligação do centro-direita, CDU, com o centro-esquerda, SPD. Nas eleições em três regiões, ontem, tal aliança não será suficiente para fazer maioria nos parlamentos locais e a causa foram as fortes perdas dos dois partidos tradicionais. Um partido populista, AfD (Alternativa para a Alemanha), fundado em 2013, acaba de fazer uma entrada ruidosa nas três regiões e, numa delas, Saxe-Anhalt (na antiga RDA), com quase um voto em quatro.

A AfD, liderada por uma mulher, Frauke Petry, tem uma política anti-europeia e, nestas eleições, fez campanha contra a imigração. O seu sucesso abala o partido de Angela Merkel, a CDU, que foi o mais penalizado ontem - direita dura contra conservadores centristas. Estas eleições regionais estão a ser vistas como um prenúncio grave do que poderá passar-se em 2017, nas eleições para o Bundestag, o parlamento alemão. Também para o ano haverá as presidenciais francesas, com a forte candidatura de Marine Le Pen, líder de um partido com posições anti-europeias similares às da AfD e uma política igualmente radical contra os imigrantes.

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