E Wisconsin fez história...

Noite eleitoral emocionante, centrada na Florida, estado que fora pelas derradeiras sondagens mais inclinado para Hillary Clinton. Seria lá o campo de batalha maior, o farol que iluminou a tendência e o lugar do anúncio que se aproximava. Na Florida, sucessão de mudanças na liderança acabou por dar a vitória a Donald Trump, no estado, por 130 mil votos, em cerca de 9 milhões, um só ponto percentual de diferença, 49 por cento contra 48. Parece pouco mas foi enorme, num estado de tradição de vitórias apertadas, onde numa célebre eleição que empatou a decisão por um mês, 2000, Bush W. contra Gore, o republicano ganhou por pouco mais de uma centena de votos. Forte vitória, pois, de Donald Trump, primeiro facto. A contra-corrente do que indicara a campanha, segundo - até porque Obama ganhara a Florida nas duas precedentes eleições. E, terceiro, indicando a tendência da noite, que foi a de Trump arrancar estados chaves, e, sobretudo, foi o anúncio de um facto histórico que se confirmaria só às 8H00, hora de Lisboa.

Ao princípio nossa da manhã, Trump levava 265 votos eleitorais, a cinco de ultrapassar a metade e mais um voto, dos 538 votos do Colégio Eleitoral, a meta da conquista da Casa Branca. Esse resultado já prenunciava o vencedor. Na longa noite, o mais recente estado a ter sido conquistado fora a Pensilvânia, antigo estado dançarino, desde Obama passado a democrata e, nesta campanha, dado do como certo para Hillary. A tendência acentuava-se de, na costa leste, os democratas cederem o que tinham como certo Florida (29 votos), Carolina do Norte (15), Pensilvânia (20)...

Pesos pesados, acompanhados por estados pequenos mas ainda mais denunciadores da debandada: na Nova Inglaterra, bastião de longa tradição democrata, de décadas, o Maine (3 mais 1), um dos poucos estados em que o vencedor não arrecada tudo, Trump foi buscar mais um voto. E o New Hampshire, embora seja mais provável que fique democrata, já a manhã nascia, ainda estava indeciso. Do lado atlântico dos EUA, além do grande Nova Iorque (29) e estados à volta, que se mantiveram fiéis, só a Virgínia (13) sorrira a Hillary. Mas também ela com o prenúncio do desastre, pois sendo impensável há uma semana que caísse para Trump, arrastou a decisão durante longas hora.

E Ohio (18) também foi republicano. Esse já se esperava, este ano, embora tivesse sido democrata nos dois mandatos de Obama. Mas a sua votação foi demasiado clara (52-43 por cento) e trazia com ela a ultrapassagem do obstáculo tradicional: nunca um republicano ganha as presidenciais sem ganhar também o Ohio. Pois isso ultrapassou-se. A batalha deslocara-se para Michigan, Minesota e Wisconsin (36 votos, os três juntos) que cercam os Grandes Lagos, por cima. Por baixo, o Ilinóis já tinha sido dado por o que sempre era, democrata - ao menos, Hillary não perdeu o seu estado natal. Mas aqueles três, do Upper Midwest, só o serem discutidos, já revelava que Trump ousava entrar em casa alheia. O Minesota mais azulado, o Michigan mais avermelhado, o que, neste caso significava também, como na Carolina do Norte, que o eleitorado negro não se mobilizara pelo seu partido tradicional.

Entretanto, pelo centro do país, de cima a baixo, os estados confirmavam-se pró-Trump, como se esperava, seguindo o Texas (38) que teve uma votação clara, 52 contra 43, que desmentia o início da sua passagem a estado dançarino. Só a Oeste as sondagens favoráveis a Hillary se confirmavam, todos os estados do Pacífico para ela. Colorado e Novo México também, tal como a única surpresa, embora pequena, Nevada - os hispânicos eram o único baluarte democrata.

Estavam as contas assim, com Donald Trump à beirinha da vitória, com os seus 266 votos. Os três do Upper Midwest mantinham-se teimosamente indecisos, até que, pouco antes das 8 da manhã de Lisboa, o do meio, o Wisconsin deu o seus dez votos a Trump. Este saltou a barreira dos 270 e tornou-se o 45º presidente americano.

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