Deu-me para um acórdão suave

Há muitos a querer que o nosso mais recente arguido, o juiz do acórdão, tenha a sua pena agravada. Lembro que ele foi condenado, em primeira instância, a ser o juiz Neto de Moura e nessa condição debitar acórdãos lapidares como quem apedreja sentenças bíblicas. A tese de um dos promotores de pena ainda maior, a do humorista João Quadros (ver a sua conta do Twitter, a folhas tantas), é de que ele deveria ser denunciado por ganhar uma fortuna de subsídio de deslocação entre os tempos pré-históricos em que vive e os dias de hoje, distância que tem de percorrer de cada vez que atira um acórdão. Outra recorrente, a feminista Maria Capaz, exige que o badalado arguido venha à janela do Tribunal da Relação do Porto, quando ela e um grupo de sequazes ali se manifestarem. Ora, essa manifestação não garante uma triagem capaz de impedir a presença de uma ou outra adúltera, o que, a acontecer, penaria o arguido com uma coceira infernal, ao assomar à janela. Nessa circunstância, ele estaria condenado a não poder gritar "fútil, imoral, careces de probidade moral!", pois, como já decretou, "são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras". Mas como já deu para entender, considero a sentença inicial, estar obrigado a ser o juiz Neto de Moura, suficiente. O arguido encontra-se inserido socialmente - e isso não é culpa dele, mas dos seus pares - e não tem antecedentes criminais (tirando um ou outro acórdão). Que regresse em paz aos tempos de onde veio.

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