Arménio, a esperança de Passos

E ainda dizem que vivemos num ambiente crispado... Ontem, o homem da CGTP, Arménio Carlos, convocou uma concentração, frente ao Parlamento, para o dia do voto de rejeição. Os meus amigos de direita ouviram-no entre sussurros de admiração: "Isto é que é falar!", disse um. Não eram só aplausos de plateia passiva, percebi que os meus amigos estavam sinceramente enlevados: "Quem dera que os telejornais abram com as palavras do nosso Arménio..." Já era deles, o sindicalista. Mas a convocação foi feita numa conferência de imprensa e os jornalistas não quiseram saber dos pormenores que deleitavam os meus amigos. Estes gostariam que o líder da CGTP, além da brilhante ideia, a desenvolvesse. Arménio, quando os deputados subirem a escadaria de São Bento, vocês vão apertar com eles? Já têm a lista dos indecisos socialistas, para lhes prometer uma espera caso se bandeiem para o outro lado? E, se a rejeição falhar, cercam o Parlamento ou entram por ali dentro a expulsar a escumalha?... Alguns dos meus amigos de direita são da minha geração e foram, como eu, da extrema-esquerda. Um que ainda tem lá em casa uma bandeirola com o cerco da Constituinte há 40 anos já estava disposto a oferecê-la à CGTP, "mas só se o Arménio a mostrar na próxima conferência de imprensa". O mais cínico dos meus amigos de direita explicou-me aquela ânsia por ouvir mais e mais do líder sindical: "Quando um adversário se enterra, rezamos para que não se cale."

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