Sara em Lisboa e em Hollywood

Em 1992, Sara Montiel veio a Lisboa para participar na homenagem que a Cinemateca lhe dedicou. Tinha 64 anos e apareceu vestida como se tivesse menos uns 30 ou 40, o que não fez a menor impressão aos seus fãs portugueses, que aclamaram aquela mulher muito arejada, ainda com vestígios da sua lendária sensualidade e toda de cor-de-rosa, num delírio feito de cinefilia entusiástica e de devoção fervorosa. A diva espanhola contou então uma história passada com ela e com Gary Cooper na rodagem de Vera Cruz, de Robert Aldrich (1954), o filme que a apresentou a Hollywood. Cooper estava encadeado por um dos enormes projetores que iluminavam o set e mal conseguia abrir os olhos. Reparando que Sara não estava minimamente incomodada pela luz, perguntou-lhe porquê. Ela disse-lhe que tinha um truque para não ser afetada pela iluminação de cena mais agressiva. Gary Cooper quis saber qual era ele. Sara Montiel puxou-o para um canto, tirou um frasquinho da mala, disse "é anestésico" e deitou algumas gotas nos olhos de Cooper, que passou as horas seguintes tão esbugalhado, que parecia que tinha visto um exército de almas penadas. Foi o sucesso no cinema mexicano, e não a primeira fase da carreira em Espanha, que conduziu Sara Montiel a Hollywood. Aqui, além de se ter casado com Anthony Mann, que a dirigiu em Serenata, em 1956 (a união duraria 5 anos), e rodado com Sam Fuller em A Flecha Sagrada (1957), terá tido um breve caso com James Dean. Este tê-la-ia convidado para passear de carro, na véspera da sua morte ao volante do seu Porsche Spyder, mas Sara recusaria. Verdade? Lenda? A última foto tirada a James Dean, e com que muitos jornais ilustraram a notícia da sua morte, mostra-o ao lado de uma divertida Sara Montiel. Dois anos mais tarde, o monumental sucesso de O Último Couplet (1957), mataria a carreira de Sara nos EUA, mas relançá-la-ia para alturas míticas em Espanha e na Europa.

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