Quando os papéis se colam aos intérpretes

É tiro e queda. Sempre que morre um ator como James Gandolfini, que interpretou numa série de televisão uma personagem que caiu no goto dos espectadores, passando a confundir-se com ela, os media e o homem da rua "matam" a criatura ficcional e não o sujeito de carne e osso. Logo, a rajada de posts, tweets e títulos a informar "Morreu Tony Soprano", nas redes sociais e nos jornais, televisões e rádios. Tal como tinha sucedido a "J. R. Ewing" (Larry Hagman), "Columbo" (Peter Falk) ou "Archie Bunker" (Carroll O"Connor). Vários são os casos de atores e atrizes que não conseguiram manter-se na mó de cima após viverem figuras popularíssimas (que o diga, por exemplo, Michael Richards, o "Kramer" de Seinfeld), de tal forma elas se lhe colam à pele, as estereotipam e condicionam os papéis que lhes são propostos a seguir. Por isso, e mesmo tendo diversificado as suas interpretações na televisão e no cinema, ainda enquanto Os Sopranos estava no ar, e após a série ter acabado, em 2007, James Gandolfini será para sempre, e antes de tudo, identificado com o mafioso Tony Soprano, o prisioneiro involuntário de uma personagem. Como dizia Larry Hagman: "Eu não sou o J. R. , mas é ele que as pessoas estão à espera de encontrar quando me conhecem. E, depois, custa-me desiludi-las."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG