O que parece não é

Os Globos de Ouro são os prémios de cinema mais sobrevalorizados do planeta, plebiscitados por 93 membros da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (AIEH) aos quais basta terem escrito apenas quatro artigos por ano para poderem votar. A sua credibilidade tem sofrido vários e sérios rombos ao longo dos anos, desde a atribuição do prémio de Estrela do Ano a Pia Zadora (lembram-se dela? Pois...) em 1981, alegadamente após o marido dela, dono de casinos em Las Vegas, ter oferecido um faustoso fim de semana na "cidade do pecado" a um grupo de membros da AIEH, até à bronca de 2011, quando Ricky Gervais, o apresentador da cerimónia, fez uma piada sobre as insólitas nomeações do (péssimo) filme O Turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie, sugerindo que havia membros da AIEH que tinham "puxado" pelo filme, em troca da companhia de Depp e Jolie e de "subornos" da Sony, a distribuidora da fita; passando por acusações de tráfico de influências por parte de estúdios e de produtores, e de favoritismos associados, que chegaram a dar um artigo de investigação no The New York Times, há alguns anos. Mas a cerimónia dos Globos de Ouro criou a reputação de ser mais descontraída e cool do que a dos Óscares, e mais lisonjeadora e de proximidade das "estrelas" ; o marketing da AIEH é bem feito; e a transmissão televisiva dá-lhes uma enorme visibilidade, bem como a crescente voracidade dos media e dos sites e publicações de mexericos e futilidades pela palha dos "famosos" da tela e da TV, e pelas vaidades das passadeiras vermelhas; e a convenção de um meio jornalístico cada vez mais preguiçoso, acrítico e psitacista, diz que os Globos de Ouro são a antecâmara/ /bússola/antecipação dos Óscares, o que a realidade tem vindo a contradizer. No meio disto tudo, o cinema é que fica cada vez menos bem servido.

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