O HOMEM QUE QUIS MATAR HITLER

Cinema. A 20 de Julho de 1944, um grupo de conspiradores tentou assassinar Adolf Hitler com uma bomba e dar um golpe de Estado. O filme 'Valquíria', de Bryan Singer (estreia-se hoje), evoca esse golpe e a figura do conde Claus von Stauffenberg, que pôs a bomba

Produção teve dificuldades na Alemanha

Quando o realizador Bryan Singer (Os Suspeitos do Costume, X-Men) e o argumentista Christopher McQuarrie tornaram público que queriam fazer um filme chamado Valquíria, sobre a história do atentado falhado a Adolf Hitler em 20 de Julho de 1944, e a tentativa de golpe de Estado que se lhe seguiu, chamada Operação Valquíria, disseram-lhes que esquecessem o projecto, porque não se podia fazer um filme de II Guerra Mundial sem soldados americanos. Além disso o fim da história já era conhecido: Hitler sobrevivia e os conspiradores, incluindo von Stauffenberg, eram apanhados e suicidavam-se ou eram fuzilados e enforcados. Singer e McQuarrie tinham a intenção de fazer um filme de pequena escala e de orçamento controlado.

Mas quando levaram o argumento à United Artists, e Tom Cruise expressou o seu interesse em interpretar o conde Claus von Stauffenberg, o militar e aristocrata que pôs a bomba na sala de reuniões onde Hitler se encontrava e foi a figura da conspiração que ficou para a História, realizador e argumentista perceberam que tinham passado a ficar responsáveis por um "filme de Tom Cruise". Com os consequentes e consideráveis aumentos da escala e do orçamento de Valquíria.

Foi decidido ir filmar na Alemanha, de preferência nos locais ainda existentes onde os acontecimentos se tinham passado, mas no Verão de 2007, a produção de Valquíria deparou com vários obstáculos. O Ministério da Defesa alemão emitiu um comunicado dizendo que não autorizavva que Valquíria fosse rodado em qualquer instalação militar do país, porque Tom Cruise pertencia ao culto da Cientologia, que na Alemanha é considerado um culto perigoso. Àquele juntaram-se várias figuras políticas e da Igreja Protestante, bem como o director do Centro do Memorial à Resistência Alemã, em Berlim, e o próprio filho de Claus von Stauffenberg, Berthold Maria von Stauffenberg, que declarou: "Temo que este projecto redunde num kitsch detestável. Tom Cruise devia manter-se longe do meu pai".

No entanto, actor e filme, encontraram também vários e fortes aliados, nos media, no mundo do cinema (caso dos realizadores Wolfgang Petersen e Florian Henckel von Donnersmarck) e também na família de von Stauffenberg, caso do seu neto Philipp, todos eles invocando o "interesse" em recordar ao mundo uma história "algo esquecida" da "resistência alemã a Hitler".

As filmagens de Valquíria acabaram por ir para a frente na Alemanha com as devidas autorizações oficiais conseguidas. E apesar de um acidente com 11 extras que depois processaram a produção, e da sequência do fuzilamento de von Stauffenberg ter tido de ser rodada de novo, após as imagens terem ficado estragadas por um erro do laboratório alemão onde se encontravam para pós-produção, o filme sobre o homem que há 65 anos tentou matar Adolf Hitler foi completado.

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