O cinema sobe ao ringue

Desde o seu início que o cinema está ligado ao boxe. O primeiro filme com atores foi uma demonstração de pugilismo encenada para ser filmada por Thomas Edison com o seu kinetoscópio, em 1894. Em 1897, o combate do título entre "Gentleman" Jim Corbett e Bob Fitzsimmons foi o primeiro acontecimento desportivo captado em celuloide. (Em 1942, Corbett seria interpretado por Errol Flynn em O Ídolo do Público, de Raoul Walsh, um dos grandes filmes de boxe de sempre.) E em 1910 foi proibida nos EUA a comercialização de imagens do pugilista negro Jack Johnson a derrotar o seu adversário branco Jim Jeffries. O boxe já foi muitas vezes glorificado pelo cinema, e também muito denunciado (por exemplo, em Cidade Viscosa, de John Huston, um dos filmes mais realistas já feitos sobre os derrotados e os esquecidos do ringue), mas é a modalidade desportiva sobre a qual se rodaram mais filmes até hoje, entre ficções e documentários. O cinema é conflito, o conflito é cinematográfico, e naquele quadrado branco balizado por cordas onde dois homens se batem com os punhos há conflito de sobra. E esse conflito não é apenas físico. Pode ser íntimo, moral, familiar, social, étnico, político (recorde-se O Boxeur, de Jim Sheridan, Último Round, de David O. Russell, Ali, de Michael Mann). Os filmes de boxe dão também grandes histórias de afirmação, superação ou redenção (de A Queda de Um Corpo, de Mark Robson, a Rocky, de John G. Avildsen, Girlfight, de Karyn Kusama e Million Dollar Baby, de Clint Eastwood), melodramas (O Campeão, de Franco Zeffirelli, Piaf e Marcel, de Claude Lelouch) ou retratos humanos e psicológicos (Touro Enraivecido, de Martin Scorsese, Belarmino, de Fernando Lopes). A paleta inteira do drama humano cabe num ringue de boxe, por isso o cinema tem lá subido tantas vezes.

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